quinta-feira, 23 de março de 2017

O Melhor Do Bang Bang à Italiana

O Melhor Do Bang Bang à Italiana 
Nem só de filmes vive o fã de faroestes. Há toda uma série de outros produtos que também fizeram a alegria dos admiradores do gênero western. No Brasil, por exemplo, tivemos por anos a publicação dos chamados bolsilivros, pequenos livrinhos em papel jornal que traziam estórias do velho oeste. Essas publicações tinham um preço bem popular (algo que nos dias de hoje seria em torno de 3 a 5 reais). Além disso o western também invadiu o mundo dos quadrinhos (quem nunca leu uma revistinha do Tex, por exemplo?).

Nos anos 60 e 70, com o sucesso dos filmes de western spaghetti, surgiu outro nicho de mercado: o das trilhas sonoras. Como se sabe os filmes italianos tinham temas bem marcantes, que ficavam na mente do espectador de cinema. Em 1978 a gravadora Som Livre resolveu criar uma coletânea das principais canções do estilo e lançou no mercado brasileiro o LP "O Melhor Do Bang Bang à Italiana". Quem achava que o disco iria interessar apenas os aficcionados por faroestes teve uma surpresa e tanto, pois o disco (na época de vinil) foi um grande sucesso de vendas no mercado, a ponto de ter tido inúmeras reedições nos anos seguintes. O sucesso foi tamanho que mesmo após a extinção da chamada bolacha preta (o bom e velho disco de vinil) as novas edições seguiram em frente, com o lançamento do álbum em CD. Uma boa dica para quem gosta de ouvir os temas mais marcantes do cinema italiano. Por fim uma outra dica importante: caso você ame esse disco de verdade, procure pelas trilhas sonoras originais que foram lançadas no mercado externo. Muitos desses discos são verdadeiras obras primas e merecem ser ouvidos na íntegra e não apenas em suas faixas mais conhecidas.

O Melhor Do Bang Bang à Italiana (1978)
01. One Silver Dollar - Maurice Renet And His Orchestra
02. The Good, The Bad And The Ugly - Hugo Montenegro
03. Per Qualche Dollaro In Piu' - Ennio Morricone E Sua Orquestra
04. I Giorni Dell' Ira - Riz Ortolani E Sua Orquestra
05. All' Ombra Di Una Colt - Willy Brezza E Sua Orquestra
06. Theme From A Few Dollars More - Maurice Renet
07. Johnny Guitar - Nico Fidenco
08. Titoli - Ennio Morricone, Sua Orquestra E Coro
09. Hang' Em High - Hugo Montenegro E Sua Orquestra
10. C'era Una Volta Il West - Ennio Morricone
11. Django - Maurice Renet And His Orchestra
12. Trinity - Annibale E Orquestra De Gianfranco Plenizio

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Balas de um Bandoleiro

Título no Brasil: Balas de um Bandoleiro
Título Original: Guns of a Stranger
Ano de Produção: 1973
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Robert Hinkle
Roteiro: Charles W. Aldridge
Elenco: Marty Robbins, Chill Wills, Dovie Beams, Bill Coontz, Charles W. Aldridge, Ronny Robbins
  
Sinopse:
Durante uma confusão em sua cidade, o xerife Matthew Roberts (Marty Robbins) acaba matando um jovem aspirante à pistoleiro, um forasteiro de Abilene que estava de passagem pela região. A morte de alguém tão jovem frustra o velho xerife, que decide deixar sua estrela de prata de lado para cavalgar pelo velho oeste. No Arizona ele acaba encontrando uma quadrilha de bandoleiros que está aterrorizando a população local. Em pouco tempo seu instinto de homem da lei aflora novamente e ele resolve então enfrentá-los com armas em punho.

Comentários:
Filme de faroeste dos anos 70 que tenta seguir os passos dos filmes italianos, do famoso gênero Western-Spaghetti. Sinceramente falando, essa influência que veio da Europa é uma das coisas mais curiosas que já aconteceram dentro da indústria cinematográfica americana. Quando os primeiros filmes italianos chegaram no mercado americano eles foram ridicularizados pela crítica, porém com o tempo eles foram conquistando cada vez mais público. O western americano estava em crise e assim acabou copiando muito do estilo do cinema europeu. Os filmes americanos dos anos 70 assim já foram produzidos com essa forte influência, a tal ponto que chegaram até mesmo a perderem um pouco de sua própria identidade. "Guns of a Stranger" tem um roteiro muito eficiente, com trama redondinha, explorando a velha figura (mítica para alguns) dos xerifes do velho oeste. Homens quase sempre retratados como pessoas honestas, acima de qualquer suspeita! Claro que no mundo real não era bem assim - havia certamente xerifes corruptos que se aliavam à criminalidade - porém para o lado mais tradicional do western americano isso quase nunca acontecia (efeitos de uma visão de mundo conservadora e moralista da época). Embora não seja um grande filme, "Guns of a Stranger" pelo menos consegue divertir em certos momentos. O ator Marty Robbins era fraco, o que compromete a fita de uma maneira em geral. Mesmo assim, com esses problemas, ainda vale a pena ser conhecido, mesmo que tudo seja pela mera curiosidade apenas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 16 de março de 2017

O Regresso

O caçador de peles Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) vê seu grupo ser atacado por nativos selvagens em uma região remota do velho oeste. Eles quase não conseguem sair vivos da brutalidade dos indígenas. Precisando encontrar o caminho de volta para sua base ele acaba sendo atacado de forma violenta por um urso cinzento. Praticamente dado como morto, vira alvo do caçador John Fitzgerald (Tom Hardy) que quer deixá-lo para trás. O instinto de sobrevivência de Glass porém falará muito mais alto. "O Regresso" é um filme brutal. Não há outra definição. Também traz a interpretação mais visceral da carreira do ator Leonardo DiCaprio. Praticamente não há quase diálogos para declamar, mas apenas a fúria da luta entre o homem e a natureza. O realismo das cenas impactam desde o começo. É curioso como há um contraste muito presente entre a beleza do lugar onde a estória se passa e a brutalidade inerente da natureza humana entre brancos e nativos. O discurso politicamente correto também não resiste em nenhum momento. A velha ladainha do choque de civilizações não encontra eco nessa batalha pela sobrevivência.

E por falar em sobreviver a qualquer custo a cena mais lembrada da produção (o ataque do urso selvagem contra Glass) resume muito bem a essência desse roteiro. Nesse mundo primitivo não há espaço para o Éden, mas apenas para a guerra em se manter vivo. "The Revenant" assim se revela uma obra prima. O cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu é certamente o diretor mais promissor de sua geração. Confesso que ele nunca havia me impressionado tanto como agora. Não há qualquer dúvida de que "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" é uma obra prima do cinema, porém com esse novo filme ele alcançou um novo pico em sua filmografia, algo que poucos esperavam. Certa vez o lendário xerife Wyatt Earp foi perguntado sobre o que achava dos filmes de western que estavam sendo lançados no cinema. Ele disse que o velho oeste americano era muito mais brutal do que aquilo que se via nas telas. Provavelmente se tivesse tido a oportunidade de assistir "O Regresso" o velho homem da lei teria se sentido muito mais familiarizado. O filme é isso, um retrato extremamente bem feito de um tempo onde apenas os mais fortes conseguiam sobreviver. É brutal, mas também é maravilhoso em todos os aspectos.

O Regresso (The Revenant, Estados Unidos, 2015) Direção: Alejandro G. Iñárritu / Roteiro: Mark L. Smith, Alejandro G. Iñárritu / Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter, Domhnall Gleeson, Forrest Goodluck, Paul Anderson / Sinopse: Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é um caçador que se vê diante de uma realidade brutal, não apenas por causa do clima hostil onde está, como também pela natureza perversa e cruel dos homens. Apesar de ter tudo contra si ele lutará até o fim pela sua sobrevivência, custe o que custar. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Fotografia (Emmanuel Lubezki) e Melhor Direção (Alejandro G. Iñárritu). Também vencedor do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Ator - Drama (Leonardo DiCaprio) e Melhor Direção - Drama (Alejandro G. Iñárritu).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 13 de março de 2017

A Biografia de John Wayne - Parte 3

Uma das grandes sortes que John Wayne teve em sua carreira foi o fato dele começar a se tornar popular justamente na mesma época em que o grande cowboy do cinema, o astro Tom Mix, estava se aposentando. Ídolo máximo do western na era do cinema mudo, Mix estava descontente com os novos rumos que a indústria cinematográfica americana começava a tomar. O cinema falado estava prestes a dominar completamente o mercado, enquanto os antigos filmes mudos perdiam espaço nas telas a cada ano. Era o fim de uma era.

Tom Mix já se sentia velho e cansado. Cavalgar para ele estava se tornando um problema por causa de dores na coluna. Ele sofria dessas dores há anos, mas agora tudo se tornara insuportável. O estúdio lhe arranjou dublês, mas o público começou a perceber a diferença e assim, procurando manter sua estrela, sua áurea, Mix decidiu se aposentar. Ele queria se retirar antes que se tornasse completamente decadente. Depois de atuar em mais de duzentos filmes ele estava multimilionário e não queria mais saber de cavalos, selas, poeira e tiroteios. Os dias do faroeste tinham chegado também ao fim para Mix.

Com o afastamento de Tom Mix das telas todo um espaço ficou vazio. Quem seria o próximo herói dos filmes de faroeste? Bom, John Wayne estava de olho nesse trono. Esforçado, disciplinado, bom profissional na visão dos diretores da época, John Wayne começou a deixar de lado suas participações como dublê para realmente se tornar ator na frente das telas. Foi um processo gradual. Nos primeiros anos John Wayne ainda procurou se esforçar na universidade, mas depois ele viu que poderia ter grande futuro no mundo do cinema. O pagamento era muito bom, o trabalho era relativamente fácil e a fama, que ele começava a desfrutar, acabou lhe convencendo que ele deveria se esforçar para fazer sucesso no cinema, acima de tudo.

Durante as filmagens de um novo filme, Wayne conversou longamente com o diretor Andrew Bennison. Esse lhe avisou que iria filmar um faroeste em breve e que queria John Wayne em seu elenco. Depois explicou que esse novo western seria mais realista, tentando mostrar o mundo dos cowboys como ele realmente era: com muito suor, trabalho duro e roupas surradas. Nada a ver com Tom Mix e suas roupas engomadinhas. "John, o futuro dos filmes de western será o realismo nu e cru, por isso quero que você apareça como se fosse um cowboy real. Roupas empoeiradas, chapéu amassado, nada de ter um visual como Tom Mix, com seu figurino cheio de estrelinhas e esporas de prata!". Wayne concordou plenamente com a opinião do diretor. Era hora do cinema americano abraçar uma visão bem mais pé no chão. O mito em torno de John Wayne começava a ganhar vida.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Cine Western - Sete Homens e um Destino (2016)

Título no Brasil: Sete Homens e um Destino
Título Original: The Magnificent Seven
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Nic Pizzolatto, Richard Wenk
Elenco: Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D'Onofrio, Peter Sarsgaard, Manuel Garcia-Rulfo
  
Sinopse:
Uma cidade do velho oeste vive sob o jugo de um empresário inescrupuloso chamado Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard). Usando da violência e força bruta, respaldado por um exército de bandidos, ele humilha e extorque toda a população. Procurando por ajuda alguns moradores vão atrás de alguém que os protejam e encontram o que procuravam na figura do pistoleiro Chisolm (Denzel Washington), que forma um grupo de sete homens para libertar todas aquelas pessoas subjugadas pelo crime. Agora, ao lado de todos, eles vão expulsar Bogue daquela região, custe o que custar. Filme indicado ao Black Reel Awards na categoria de Melhor Ator (Denzel Washington).

Comentários:
Eu já deixei claro inúmeras vezes que não gosto de remakes cinematográficos. De forma em geral eles são inúteis, desnecessários e muitas vezes decepcionantes. Essa é praticamente uma regra geral. Então no deserto de originalidade em que vive Hollywood nos dias atuais eis que surge o remake do clássico de western "The Magnificent Seven" que, por sua vez, é sempre bom lembrar, já era uma versão Made in USA do filme de Akira Kurosawa, "Os Sete Samurais". Pois bem, nesse novo filme, turbinado por um orçamento generoso, tendo como destaque a presença do astro Denzel Washington, temos algumas modificações na estória, muito embora a espinha dorsal dos filmes originais se tenha mantido. Basicamente é a mesma coisa, com pessoas de uma cidade oprimida por uma quadrilha que procuram por alguma ajuda. Embora seja um bom faroeste - é inegável isso - essa nova versão tem alguns problemas. O primeiro deles é o fato do diretor Antoine Fuqua ter optado por realizar um filme longo demais. Esse tipo de filme, com esse tipo de enredo, não necessita de uma metragem tão extensa. Se o corte final fosse mais enxuto penso que o filme ganharia mais em termos de agilidade e edição. O fato de Fuqua ter procurado levar à sério demais o próprio enredo também é um problema. Nunca foi essa a proposta da primeira versão americana. Por fim temos a violência, que em determinados momentos extrapola um pouco. São problemas eventuais, pontuais, que não chegam a atrapalhar muito. O filme foi malhado bastante desde que foi lançado, mas penso que não é para tanto. É um faroeste bem produzido, com um elenco interessante, embora em minha opinião Denzel Washington esteja um pouco fora de seu habitual. Passa longe de ser tão ruim como alguns críticos afirmaram. Na verdade, na pior das hipóteses, temos aqui pelo menos uma boa diversão. Sim, continua desnecessário, como todo remake, mas com um pouquinho de boa vontade até que não faz feio. Escapou de ser um filme inútil.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Cine Western - Soldados Búfalos

Título no Brasil: Soldados Búfalos
Título Original: Buffalo Soldiers
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Turner Pictures
Direção: Charles Haid
Roteiro: Jonathan Klein, Frank Military
Elenco: Danny Glover, Timothy Busfield, Glynn Turman, David Jean Thomas, Timothy Busfield
  
Sinopse:
Após a guerra civil americana, um grupo de militares do exército americano, formado majoritariamente por negros conhecidos como "soldados búfalos", vai até um distante e hostil território ocupado pelos guerreiros apaches para capturar um líder nativo conhecido como Vittorio, que está espalhando medo e terror aos colonos brancos do Novo México. Filme indicado ao Primetime Emmy Awards e ao American Society of Cinematographers.

Comentários:
"Buffalo Soldiers" é um excelente telefilme que fez tanto sucesso e recebeu críticas tão boas em seu lançamento que acabou sendo lançado também no mercado de vídeo. No Brasil o filme chegou em VHS, já que naquela época ainda não havia disponível aos brasileiros o canal TNT (que produziu e exibiu o filme originalmente). Danny Glover interpreta o sargento Washington Wyatt que faz parte desse batalhão. É um filme muito bem produzido que não deixa de tocar no assunto da questão racial. Acontece que nessa tropa em particular não existem apenas negros, mas militares brancos também. Assim não é surpresa para ninguém que mais cedo ou mais tarde surjam ofensas racistas entre eles. Companheiros de farda, lutando pelo exército, nada disso consegue amenizar a questão racial. Os militares negros por sua vez acabam demonstrando seu valor justamente onde é necessário, no campo de luta contra os nativos. Essas chamadas "guerras indígenas" foram bem sangrentas, causando muitas mortes e para alguns historiadores também um amplo genocídio do povo índio. Tudo isso pode ser levado à debate em relação a essa produção, porém se você estiver apenas em busca de um bom faroeste, com boas cenas de ação, também não ficará decepcionado. O filme cumpre também seu papel no quesito diversão. Assim deixamos a dica desse bom filme, que hoje em dia segue pouco lembrado, mesmo para os fãs do gênero western.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Cine Western - Promessa de Sangue / Pistoleiros em Conflito

Título no Brasil: Promessa de Sangue
Título Original: Per 100.000 Dollari T'ammazzo
Ano de Produção: 1968
País: Itália
Estúdio: Zenith Cinematografica
Direção: Giovanni Fago
Roteiro: Ernesto Gastaldi, Luciano Martino
Elenco: Gianni Garko, Carlo Gaddi, Claudio Camaso, Fernando Sancho, Bruno Corazzari, Susanna Martinková
  
Sinopse:
Johnny Forest (Gianni Garko) é um caçador de recompensas que percorre o velho oeste em busca de criminosos procurados. Sempre com cartazes do tipo "procurado vivo ou morto" em mãos, Forest caça impiedosamente os bandidos para ficar com os prêmios por suas capturas. Ao chegar em uma velha cidade empoeirada no meio do deserto texano, ele descobre que seu próprio irmão se tornou um procurado. Assim Forest, que tem contas a acertar com ele por causa do passado, sai em seu encalço pelas areias do deserto. 

Comentários:
Esse bang bang à italiana também é conhecido pelo nome de "Pistoleiros em Conflito". É um típico western spaghetti que coloca em posições opostas dois irmãos. Eles eram de uma família aristocrata no passado, mas tudo foi destruído quando Clint Forest (Claudio Camaso) matou o próprio pai, pelas costas, com um tiro certeiro de rifle. Pior do que isso, ele acusou seu irmão mais velho, Johnny Forest (Gianni Garko), pelo crime. Para não ser preso injustamente Johnny fugiu com seu cavalo, se tornando um caçador de recompensas do velho oeste. Já na primeira cena do filme encontramos Johnny enfrentando um bando de bandoleiros mexicanos. Eles os enfrenta dentro de uma velha igreja abandonada. Quando os bandidos chegam Forest se esconde dentro de caixões para liquida-los. Uma ótima cena, diga-se de passagem. Com todos eles mortos ele chega então numa cidadezinha perdida onde o xerife lhe informa que seu irmão Clint agora também é procurado pela lei. Há uma recompensa de mil dólares por sua captura - nada mal! Acontece que Clint também está envolvido em um roubo de ouro de uma guarnição militar durante a guerra civil. Assim o roteiro tece a teia da trama. Johnny em busca de Clint para prendê-lo e vários criminosos em busca de Clint para colocarem as mãos no ouro roubado. De maneira em geral é realmente um bom faroeste spaghetti, valorizado por uma boa produção e cenas realmente bem boladas - como aquela em que Johnny Forest, o caçador de recompensas, fica pendurado de cabeça para baixo no meio do deserto. Todos os ingredientes da fórmula spaghetti de fazer filmes como o tema da vingança, a trilha sonora sempre eloquente e presente em cada cena e a violência estilizada estão presentes. Vai agradar em cheio aos fãs do estilo. Pode conferir sem receios.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Cine Western - A Qualquer Custo

Título no Brasil: A Qualquer Custo
Título Original: Hell or High Water
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: David Mackenzie
Roteiro: Taylor Sheridan
Elenco: Jeff Bridges, Ben Foster, Chris Pine, Gil Birmingham, William Sterchi, Buck Taylor
  
Sinopse:
Uma dupla de policiais veteranos caça dois irmãos, assaltantes de bancos, no oeste texano. Tentando antecipar onde os próximos crimes serão cometidos, eles montam uma tocaia para aprisionar os criminosos. Filme indicado ao Cannes Film Festival. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Ator - Drama (Jeff Bridges) e Melhor Roteiro - Drama (Taylor Sheridan). Também indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme,  Melhor Ator (Jeff Bridges), Melhor Roteiro (Taylor Sheridan) e Melhor Edição (Jake Roberts).

Comentários:
Ótimo filme! No enredo temos dois irmãos que se encontram após muitos anos por causa do falecimento de sua mãe. Ela morreu pobre e endividada, por causa de uma hipoteca feita para salvar seu rancho. O irmão mais velho Tanner (Ben Foster) passou muitos anos preso. De volta à liberdade acaba convencendo seu irmão mais jovem, Toby (Chris Pine), a realizar uma série de assaltos em pequenas agências bancárias de cidadezinhas perdidas no oeste do Texas. A ideia é roubar o dinheiro necessário para pagar a hipoteca do rancho da mãe, evitando assim que o banco fique com a propriedade. Após os primeiros assaltos entram em cena dois policiais veteranos. O xerife Marcus (Jeff Bridges) é um velho homem da lei, prestes a se aposentar. Seu parceiro, o mestiço Alberto (Gil Birmingham), é um excelente policial, com muita experiência em campo. O segredo para prender os dois ladrões de bancos é antecipar seus próximos crimes. Descobrir onde eles atacarão em seguida. Para isso os tiras procuram descobrir qual será a próxima agência a ser roubada. Inicia-se assim uma verdadeira caçada humana no meio da imensidão do Texas.

De certa forma esse novo filme estrelado pelo sempre ótimo Jeff Bridges é uma espécie de faroeste moderno, passado no oeste americano da atualidade. Todos os personagens são bem desenvolvidos e o filme conta com um excelente roteiro. Os dois irmãos criminosos são apresentados como pessoas comuns, que tentam sobreviver de alguma forma. O excelente ator Ben Foster interpreta o irmão mais velho, ex-presidiário, que gosta do que faz, dos crimes que comete. Ele parece adorar a adrenalina da perseguição policial, do perigo em se entrar em um banco com armas na mão anunciando um assalto. Seu irmão mais jovem, interpretado pelo ator Chris Pine (sim, o Capitão Kirk da nova franquia "Star Trek") faz o sujeito com ficha limpa que embarca nos planos alucinados de seu mano. O destaque porém vai para a ótima atuação de Bridges como o velho xerife. Experiente, com um sotaque todo característico da região, onde palavras são confundidas com resmungos ranzinzas, ele passa o filme inteiro trocando farpas com seu parceiro. Sendo ele um policial com origem mexicana, isso acaba rendendo ótimos momentos de humor, sem qualquer intenção de ser ofensivo, sendo apenas divertido. O filme tem um clímax muito bom, que me lembrou inclusive de velhos filmes de western, onde bandidos e mocinhos se enfrentam nas ingremes montanhas texanas. Um filme realmente muito bom, valorizado sobretudo por causa desse teor nostálgico de seu roteiro. Mais do que recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Cine Western - James Dean - Giant


James Dean - Giant
Três fotos com James Dean tiradas durante as filmagens de "Assim Caminha a Humanidade". O filme acabou se tornando o último do jovem rebelde ator, que morreria poucas semanas após o fim das filmagens ao sofrer um acidente de carro com seu Porsche Spyder. Em cena Dean interpretava o capataz de uma grande fazenda chamado Jett Rink, que acabava encontrando petróleo em seu pequeno pedaço de terra, o tornando um homem milionário. O filme, sob direção do excelente George Stevens, foi rodado no interior do grande estado americano do Texas e Dean procurou absorver a cultura local, se vestindo de cowboy, interagindo com os moradores da região.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Cine Western - A Fronteira

Título no Brasil: A Fronteira
Título Original: Borderline
Ano de Produção: 1980
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Jerrold Freedman
Roteiro: Jerrold Freedman, Steve Kline
Elenco: Charles Bronson, Ed Harris, Bruno Kirby, Bert Remsen, Karmin Murcelo
  
Sinopse:
Na fronteira entre México e Estados Unidos, um grupo de policiais americanos tenta evitar a entrada de imigrantes ilegais em seu país. Eles são liderados pelo xerife Jeb Maynard (Charles Bronson) que resolve apertar o cerco após a morte de um veterano patrulheiro da fronteira que era seu amigo pessoal. A partir daí ele começa a investigar o assassinato e descobre que por trás de tudo pode estar um homem especializado em atravessar imigrantes mexicanos pela fronteira. Caberá a Jeb descobrir sua identidade e das pessoas poderosas que estariam financiando suas atividades criminosas.

Comentários:
Em tempos de Donald Trump e sua política de imigração nada mais interessante do que assistir a esse filme estrelado por Charles Bronson. É a tal coisa, a imigração ilegal é um problema bem velho para os americanos pois há mais de 30 anos atrás a situação já era considerada fora de controle. Em determinado momento do filme o xerife de Bronson dá uma ideia do caos que impera naquela região. Ele explica aos seus subordinados que quando começou a trabalhar na fronteira eles prendiam no máximo 10 mexicanos por mês tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos, mas que agora eram mais de três mil por semana! E isso em 1980, quando o filme foi produzido! Imagine a situação nos dias atuais... Além do roteiro esclarecedor que mostra como a imigração ilegal é mesmo um grande negócio para policiais mexicanos corruptos e empresas de fachada do lado americano, o filme também explora as mortes e a profunda exploração dos coiotes em relação aos imigrantes. Um desses coiotes é o grande vilão do filme, um veterano da guerra do Vietnã interpretado por Ed Harris. Usando o que aprendeu no exército ele passa a trabalhar no transporte de imigrantes ilegais, muitas vezes cometendo crimes para isso. Um desses crimes é justamente o assassinato que Bronson passa a investigar. Ele mata um velho patrulheiro da fronteira e quando a bala que o matou ricocheteia em um jovem mexicano ele não pensa duas vezes e mata o rapaz também, tudo a sangue frio. Totalmente rodado na fronteira desértica entre os dois países esse é sem dúvida um dos melhores filmes sobre o tema. Tem cenas excelentes de ação e também um roteiro que é ao mesmo tempo esclarecedor e conscientizador. Um filme muito bom, hoje pouco lembrado. Assista para entender melhor a política do atual presidente americano sobre a imigração ilegal que assola aquela nação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Cine Western - A Sombra de Chikara

Título no Brasil: A Sombra de Chikara
Título Original: The Shadow of Chikara
Ano de Produção: 1977
País: Estados Unidos
Estúdio: Embassy Pictures
Direção: Earl E. Smith
Roteiro: Earl E. Smith
Elenco: Joe Don Baker, Sondra Locke, Ted Neeley, Dennis Fimple
  
Sinopse:
Com o fim da Guerra Civil Americana, ex-soldados confederados passam a vagar pela imensidão do deserto do oeste americano. Nessas terras isoladas e hostis eles acabam conhecendo uma velha lenda nativa que afirma que há tesouros escondidos nas montanhas do Arkansas. Eles decidem então ir em busca da fortuna, mas acabam descobrindo que forças desconhecidas e sobrenaturais protegem aquele santuário perdido.

Comentários:
Filme de faroeste dos anos 1970 que não deixa de ser muito curioso e interessante, principalmente pela exploração por parte do roteiro de aspectos referentes ao sobrenatural e ao misticismo. Pegando carona no sucesso da época de filmes de terror, o diretor e roteirista Earl E. Smith tentou criar um filme que fosse ao mesmo de western e terror, tentando unir os dogmas de ambos os gêneros cinematográficos. Não ficou uma obra prima, longe disso, mas também passa longe de ser uma bomba ou uma decepção. Há elementos que realmente fazem com que o espectador fique atenta aos acontecimentos até o fim do filme. Smith conseguiu realmente, de fato, explorar bem o suspense, o inexplicável e o mistério. No elenco não há grandes astros e estrelas, apenas a atriz Sondra Locke é mais conhecida dos fãs de filmes de western, principalmente por ela ser casada na época com Clint Eastwood, que dizem alguns boatos, também ajudou na realização desse filme de western e magia! Enfim, uma obra bem interessante, curiosa e bem fotografada, toda filmada nas terras onde nasceu o ex-presidente americano Bill Clinton. Coloque em sua lista, a conferir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Cine Western - A Caminho do Oeste / Oeste Sem Lei

Título no Brasil: A Caminho do Oeste / Oeste Sem Lei
Título Original: Slow West
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Nova Zelândia
Estúdio: DMC Film, Film4 Pictures
Direção: John Maclean
Roteiro: John Maclean
Elenco: Michael Fassbender, Kodi Smit-McPhee, Caren Pistorius, Ben Mendelsohn
  
Sinopse:
O jovem escocês Jay Cavendish (Kodi Smit-McPhee) parte rumo ao oeste americano em busca de sua amada, Rose Ross (Caren Pistorius). Ela fugiu para os Estados Unidos após seu pai ter matado um homem na Escócia. No caminho Jay acaba encontrando o pistoleiro Silas Selleck (Michael Fassbender) e o contrata, para servir de guia até o destino final de sua viagem. O que Jay não sabe é que Rose e seu pai estão com a cabeça à prêmio, o que atrai uma horda de caçadores de recompensas para capturá-la. Filme indicado ao British Independent Film Awards e ao European Film Awards. 

Comentários:
O que temos aqui é um western rápido e ágil que foi produzido pelo próprio ator Michael Fassbender. Com belas locações na distante (e bonita) ilha da Nova Zelândia, o filme conta uma história simples até demais. Dois viajantes seguem rumo aos confins do oeste para encontrar a paixão de um deles. Até aí nada demais. O problema é que há uma recompensa de dois mil dólares pela captura da garota, o que abre uma verdadeira caçada em sua captura. O jovem escocês que deseja encontrá-la nem desconfia que está na verdade levando um grupo de caçadores de recompensa diretamente a ela, pois eles seguem à distância seus passos. Aliás o próprio guia que ele contrata, o pistoleiro Silas, também está de olho na generosa recompensa, então cria-se mesmo uma armadilha mortal. Na longa viagem eles encontram golpistas, enganadores e índios. Há uma passagem por uma floresta fantasma, mas infelizmente isso não é muito bem aproveitado pelo roteiro. O filme tem menos de uma hora e meia de duração, o que considerei pouco em termos de filmes mais recentes. Além disso há muita violência pelo caminho, a ponto do diretor colocar uma curiosa montagem na cena final mostrando todos os que foram mortos nessa jornada, rápidos takes dos corpos crivados de balas pelo chão. O clímax inclusive é bem inesperado, sem direito a final feliz. Com um elenco praticamente todo desconhecido, com exceção do ator Michael Fassbender (de "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido", "Assassin's Creed", "Shame", "Prometheus" e "12 Anos de Escravidão", entre outros), o filme só peca mesmo pelo roteiro que é um tanto vazio, sem nunca desenvolver melhor todos os personagens. Basicamente a situação não é melhor trabalhada, embora para os que estejam em busca de apenas boas cenas de ação não haverá o que reclamar. O jovem Jay é um tipo frágil demais, nada adequado para enfrentar o lado mais selvagem do oeste americano. Seu romantismo desproporcional e sua inocência o tornam um alvo perfeito para os foras-da-lei que infestavam o oeste naqueles tempos duros. Então é isso, "Slow West" pode ser uma boa pedida de fim de noite se você estiver em busca de um passatempo razoável, sem pretensões de se assistir a uma obra prima do western. Como diversão ligeira até que funciona bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Cine Western - A Lei dos Brutos

Título no Brasil: A Lei dos Brutos
Título Original: Gunslinger
Ano de Produção: 1956
País: Estados Unidos
Estúdio: Roger Corman Productions
Direção: Roger Corman
Roteiro: Charles B. Griffith, Mark Hanna
Elenco: Beverly Garland, John Ireland, Allison Hayes, Martin Kingsley
  
Sinopse:
O sonho de Rose Hood (Beverly Garland) sempre foi ser uma boa esposa e mãe. Ao se casar ela pensou estar finalmente realizando seu sonho de vida, mas seu marido acaba sendo morto covardemente na rua principal da cidade. Revoltada, tomada por ira e em busca de vingança contra todos os bandidos do velho oeste, Rose resolve tomar uma decisão inédita e incomum, ao se tornar a nova xerife, impondo lei, ordem e respeito com armas em punho! O seu objetivo é limpar toda a região de bandoleiros e foras-da-lei. Apenas os mais fortes vão sobreviver.

Comentários:

Roger Corman, como todos já sabemos, foi o rei dos filmes B em Hollywood. No final da carreira escreveu um livro contando como conseguiu produzir e dirigir centenas de fitas, sem nunca perder um tostão nelas! Realmente foi um gênio em seu nicho, produzindo filmes bem legais com quase nenhum dinheiro. Hoje em dia Corman é considerado não apenas um herói e um símbolo do cinema independente americano, como também um exemplo para os que desejam fazer filmes sem ter qualquer apoio dos grandes estúdios da indústria cinematográfica americana. Nesse faroeste dos anos 50 Corman resolveu inovar, fazendo de uma mulher a "xerifa" de uma cidade do velho oeste. Claro que historicamente isso jamais aconteceu, mas quem se importa? Corman, sempre em busca de novas ideias e abordagens, resolveu fazer esse filme na intenção dele ser realmente diferente - algo que conseguiu. A figura da mulher em busca de vingança contra os bandidos, usando para isso de uma estrela de xerife, tem inegável apelo, ainda mais nos dias de hoje com os movimentos feministas e tudo mais. Pois é, quem diria, Corman até nisso estava a frente de seu próprio tempo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Cine Western - Galeria de Astros: Elvis Presley / Bob Dylan

Elvis Presley - Tickle Me! 
O roqueiro Elvis Presley em trajes de cowboy para o musical e western "O Cavaleiro Romântico". O filme, considerado uma produção B, acabou se tornando, para surpresa de muitos, um dos grandes sucessos de bilheteria da carreira de Elvis justamente pela forma como foi comercializado. O empresário do cantor investiu na distribuição do filme em pequenos Drive-Ins (cinemas onde os espectadores entravam com seus carros, algo bem popular nos anos 60). Como foi uma produção barata e econômica, com muitas músicas e garotas bonitas, o filme acabou se tornando uma pequena mina de ouro. Infelizmente, mesmo com o sucesso, esse faroeste não conseguiu melhorar a posição de Elvis em Hollywood, pois a fita foi impiedosamente massacrada pela crítica da época, que considerou os resultados artísticos bem ruins. Mesmo sendo fã de Elvis temos que admitir que esse western passa longe de ser um de seus bons momentos em Hollywood.

Bob Dylan - Pat Garrett
Outro astro do mundo da música que se aventurou nos filmes de faroeste foi Bob Dylan. Em 1973 ele aceitou o convite para atuar como um pistoleiro em Pat Garrett and Billy the Kid. Se saindo melhor do que Elvis, Dylan acabou participando de um verdadeiro clássico dos filmes de faroeste. O curioso é que tudo aconteceu muito por acaso, quando aceitou o convite do diretor para atuar. "Estava sem fazer nada e achei que poderia ser uma boa ideia fazer esse filme" - confessaria anos após o fim das filmagens. O mais estranho de tudo é que depois que o filme acabou de ser rodado, ele continuou a usar os mesmos trajes do velho oeste em sua carreira musical, aparecendo assim em shows e capas de discos. Perguntado porque ainda se vestia como se estivesse no século XIX, o artista respondeu: "Gostei muito dessas roupas! São bem confortáveis, além disso o chapéu protege você do sol!". OK! Então está tudo bem...

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Cine Western - O Romântico Defensor

Título no Brasil: O Romântico Defensor
Título Original: Albuquerque
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Ray Enright
Roteiro: Gene Lewis
Elenco: Randolph Scott, Barbara Britton, George 'Gabby' Hayes, Lon Chaney Jr
  
Sinopse:
Com roteiro adaptado do romance "Dead Freight for Piute", de Luke Short, o filme "O Romântico Defensor" conta a estória de Cole Armin (Randolph Scott), um cowboy texano que vai até a cidade de Albuquerque para trabalhar ao lado de seu tio, John Armin (George Cleveland). um bem sucedido homem de negócios na região. Durante a viagem a diligência onde se encontra é assaltada por uma quadrilha de bandidos. Quando finalmente chega em seu destino acaba descobrindo que seu tio John teve participação no roubo. Em pouco tempo tio e sobrinho entram em choque por causa do crime ocorrido, ficando em lados opostos da lei.

Comentários:
"Albuquerque" é um western ao velho estilo onde tudo funciona muito bem. O roteiro é caprichado, bem desenvolvido, criando situações ora mais dramáticas, ora mais bem humoradas. O lado romântico também não é deixado de lado e aqui Randolph Scott corteja a mocinha Celia Wallace (Catherine Craig). O elenco de apoio é excepcionalmente bom com destaque para George Cleveland como o tio Armin, um vilão mais cerebral do que visceral (tanto que não pega em armas, apenas planeja de longe formas de prejudicar o seu sobrinho). George 'Gabby' Hayes, um veterano nas telas com quase 200 filmes também está excelente como Juke, um velho barbudo e ranzinza que trabalha para o personagem de Randolph Scott. Ele funciona muito bem como alívio cômico dentro da trama. Outro ponto de destaque no elenco de apoio é a presença do ator Lon Chaney Jr, tão conhecido dos fãs de filmes de terror clássicos da Universal, em seu auge! "Albuquerque" ficou muito conhecido pelo público americano por causa das inúmeras reprises televisivas ao longo de todos esses anos. Na década de 50 a Paramount, produtora do filme, negociou com a Universal a venda dos direitos autorais de mais de 700 faroestes, todos para serem exibidos no canal NBC no período vespertino. "Albuquerque" fazia parte desse pacote. Passando constantemente na TV norte-americana o filme foi criando uma espécie de intimidade com o público, se tornando uma obra muito conhecida e querida entre os fãs americanos de western. Até no Brasil o filme também foi bem reprisado nos primórdios da TV brasileira. Por aqui quando em sua exibição na extinta TV Tupi a produção recebeu o título pomposo de "O Romântico Defensor". Enfim é isso. "Albuquerque" certamente tem todos os ingredientes que fazem um bom western. Além disso seu clima nostálgico é completamente irresistível. Um faroeste dos bons que merece ser conhecido pelos fãs do gênero.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.