segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Álamo - 13 Dias de Glória

Título no Brasil: Álamo - 13 Dias de Glória
Título Original: The Alamo - Thirteen Days to Glory
Ano de Produção: 1987
País: Estados Unidos
Estúdio: The Finnegan Company
Direção: Burt Kennedy
Roteiro: Lon Tinkle, Clyde Ware
Elenco: James Arness, Raul Julia, Brian Keith, Alec Baldwin
  
Sinopse:
O filme recria um dos eventos históricos mais importantes dos Estados Unidos. No século XIX um grupo de apenas 200 homens, entrincheirados no forte Álamo no Texas, conseguiu resistir bravamente por um determinado período de tempo a um ataque promovido por um imenso exército mexicano sob as ordens do general inimigo Antonio Lopez de Santa Ana (Raul Julia). Roteiro baseado em fatos reais. Filme indicado ao Primetime Emmy Awards na categoria de Melhor Fotografia (minissérie ou telefilme).

Comentários:
A história do forte Álamo se tornou célebre no cinema por causa daquela conhecida versão épica dirigida e estrelada pelo astro John Wayne. Ele fez uma ode aos que tombaram na ocasião, louvando a coragem e a fibra daqueles que se tornaram heróis para o povo texano - e americano em geral. Obviamente que sempre houve muito ufanismo em todas as versões que trataram sobre essa história. Nas mãos do veterano Burt Kennedy tivemos essa versão para a TV americana que conseguiu se destacar por tentar ser ao menos um pouco mais fiel aos fatos históricos reais. Com ótimo elenco (onde se destaca o talentoso ator Raul Julia como o vilão, o generalíssimo Santa Ana) e uma excelente reconstituição histórica, tudo aliado a uma boa produção, o que temos aqui é um caso raro de telefilme dos anos 80 que realmente não deixava nada a dever aos filmes que eram lançados no cinema na época. Esse capricho era até fácil de explicar, de certa forma. Os produtores obviamente não estavam apenas preocupados em fazer o melhor para a TV, mas também em explorar o filme depois no mercado de vídeo - o que acabou acontecendo, inclusive no Brasil, onde foi lançado diretamente em VHS. Assim deixo a indicação dessa obra. Não é a melhor versão já feita sobre o Álamo, mas certamente é uma das mais dignas e bem produzidas.

Pablo Aluísio.

sábado, 27 de agosto de 2016

Guia de Episódios - Justified

Justified 4.09 - The Hatchet Tour
"Justified" ainda continua sendo uma série que vale a pena acompanhar, porém são tantas as subtramas que os roteiros andam perdendo o foco ultimamente. O problema central é que os roteiristas deixam pontas soltas nos episódios e só retornam a elas meses depois, então para o espectador médio vai ficando cada vez mais complicado seguir o fio da meada. Atualmente o ator Timothy Olyphant, que interpreta o agente federal Raylan Givens, principal personagem do seriado, está produzindo grande parte da temporada. Ao que consta essa fragmentação da trama está sendo incentivada por ele próprio, já que fã de quadrinhos e procura manter tudo assim mesmo, em ritmo de mosaico, para prender o espectador ligado nos acontecimentos. Uma velha tática dos comics americanos. Na minha forma de encarar a situação não é bem isso que anda acontecendo. Mesmo chegando na respeitável marca de 70 episódios exibidos em seis temporadas, "Justified" corre o risco de se perder em suas próprias armações, criando um desenrolar complicado, numa teia de acontecimentos que não se saberá onde tudo vai parar. / Justified 4.9 - The Hatchet Tour (EUA, 2013) Direção: Lesli Linka Glatter / Roteiro: Graham Yost, Taylor Elmore / Elenco: Timothy Olyphant, Nick Searcy, Joelle Carter.

Justified 4.10 - Get Drew
Depois de uma pausa resolvi retomar a série "Justified". Pretendo ao menos terminar de assistir sua quarta temporada. Bom, o policial Raylan Givens (Timothy Olyphant) nesse episódio está na caça do xerife Shelby Parlow (Jim Beaver) que se revelou um criminoso na verdade, usando sua uniforme, distintivo e autoridade para cometer crimes em seu condado. O problema para Raylan é que não é apenas ele que deseja colocar as mãos no tira corrupto, mas também uma quadrilha de traficantes de drogas, tudo sob comando de Boyd Crowder (em excelente atuação do ótimo ator Walton Goggins). No último minuto o velho policial caçado por todos também resolve levar consigo a jovem prostituta Ellen May (Abby Miller) o que torna tudo ainda mais complicado. "Justified" se passa no Kentucky, um estado rural do sul dos Estados Unidos, onde velhas rixas e crimes antigos ainda insistem em persistir mesmo no mundo moderno. A série é na média, mas diverte bastante, principalmente por causa do policial Raylan Givens, um dos personagens mais carismáticos da TV americana da atualidade. / Justified 4.10 - Get Drew (EUA, 2013) Direção: Billy Gierhart / Roteiro: Graham Yost, Dave Andron / Elenco: Timothy Olyphant, Nick Searcy, Joelle Carter.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Guia de Episódios - Longmire

Longmire 1.01 - Pilot
Fazia tempo que tinha "Longmire" na minha coleção, mas só comecei a assistir a série agora. Esse é o primeiro episódio, o piloto. Na verdade o que me atraiu para "Longmire" foi a oportunidade de acompanhar outra série ao estilo velho oeste. Os episódios giram em torno do cotidiano do xerife Walt Longmire (Robert Taylor), que trabalha em uma pequena cidade perdida do Wyoming. No geral ele atende casos policiais sem maior importância pois os índices de criminalidade são bem pequenos. As coisas porém mudam quando um corpo de um homem é achado nas montanhas geladas. Ele está armado com um rifle, mas foi alvejado a longa distância antes de conseguir atingir seu assassino. As investigações logo começam e o xerife Longmire descobre haver uma ligação entre a morte e um esquema de prostituição na região, envolvendo nativos da reserva indígena local, e mulheres brancas e pobres, que acabam entrando no esquema em troca de dinheiro. Além desse crime, Longmire ainda tem que se preocupar com sua vida pessoal que anda em frangalhos e a próxima eleição para xerife (lá nos Estados Unidos os xerifes são eleitos pela própria população e se não mostrarem serviço são trocados por outros candidatos). Gostei da proposta da série e recomendo para quem gosta de um bom faroeste, embora tudo se passe no moderno (mas nem tanto) oeste americano. De quebra uma curiosidade, a série conta em seu elenco com a presença de Lou Diamond Phillips (de "La Bamba") interpretando um mestiço chamado Henry Standing Bear. Vale a pena conhecer e acompanhar / Longmire - Pilot (EUA, 2012) Direção: Christopher Chulack / Roteiro: Hunt Baldwin, John Coveny / Elenco: Robert Taylor, Katee Sackhoff, Lou Diamond Phillips.

Longmire 1.04 - The Cancer
Nem o pacato estado do Wyoming está livre do pesadelo das drogas. É justamente isso que o xerife Walt Longmire (Robert Taylor) descobre da pior maneira possível. Após dois corpos serem achados no rio de uma reserva, ele começa uma série de investigações que lhe provam que há uma enorme plantação de maconha na região, comandada possivelmente por um elo do cartel de drogas mexicano. Ele pensava até aquele momento que não se produzia e nem se plantava drogas em sua cidade, mas os acontecimentos o fazem mudar de ideia. Pior do que isso, parece haver uma guerra do tráfico nas redondezas, haja visto os dois mortos, frutos diretos dessa disputa. Outro fato que lhe deixa desnorteado é descobrir que não se trata de uma maconha comum, mas especial, cultivada nas montanhas do Afeganistão! Estaria havendo algum tipo de contrabando envolvendo veteranos do exército americano nesse tráfico internacional? São questões que serão respondidas ao longo de todo o episódio. Grande parte da trama se passa na reserva indígena Cheyenne perto das montanhas da região, onde vários filmes de faroeste foram filmados no passado. Um bonito lugar que vai causar muita nostalgia nos fãs de westerns. / Longmire 1.04 - The Cancer (EUA, 2012) Direção: Gwyneth Horder-Payton / Roteiro: Craig Johnson, Hunt Baldwin  / Elenco: Robert Taylor, Katee Sackhoff, Lou Diamond Phillips.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Kirk Douglas e o Western

Embrutecido Pela Violência (1951)
Len Merrick (Kirk Douglas) é um orgulhoso Marshal federal que evita um enforcamento numa cidade do velho oeste. O acusado, Timothy 'Pop' Keith (Walter Brennan), está para ser enforcado por supostamente ter roubado gado e assassinado o filho de um rico e influente rancheiro da região. Para Len sua execução é completamente ilegal e por essa razão ele se compromete a levar Keith até um tribunal do júri na cidade de Santa Loma onde finalmente será devidamente julgado, perante um juiz de direito e um corpo de jurados, tudo como manda a lei. A jornada até lá porém não será tranquila e nem pacífica pois a família Roden está disposta a vingar a morte de um de seus membros. Esse western dirigido pelo mestre Raoul Walsh tem um argumento muito mais sofisticado do que pode parecer à primeira vista. A história não foge muito do que vemos na tela, com um obcecado homem da lei tentando seguir os trâmites legais a todo custo, mesmo sendo ameaçado e perseguido por um bando de justiceiros pelo deserto afora. A questão é que uma vez em Santa Loma - para onde está levando um acusado - ele descobre que nem sempre a justiça é devidamente feita pelos tribunais. Há uma série de influências econômicas, sociais e extra jurídicas que determinam se alguém é considerado culpado ou não. Durante a jornada até lá ele vai colhendo impressões e verdades sobre o homem que tem sob custódia e descobre que seu próprio julgamento pessoal, criado na convivência com o suposto criminoso, tem mais validade do que um apressado e mal feito julgamento na calada da noite. Só esse aspecto já tornaria o filme bem acima da média dos demais faroestes da época, mas há outras qualidades dignas de nota. Walsh rodou um filme enxuto, diria até econômico, porém muito bonito, em bela fotografia em preto e branco. Rodado no deserto da Califórnia, em belas locações com penhascos e rochas enormes, o filme se valoriza enormemente por causa desse cenário natural rico em bonitas paisagens. O elenco também é outro ponto forte. Kirk Douglas está de certo modo em seu tipo habitual, a do xerife durão, até insensível que carrega velhos traumas do passado, em especial uma certa culpa pelo que aconteceu ao seu pai anos atrás (ele também era um homem da lei íntegro que acabou sendo linchado por tentar cumprir o que dizia a letra fria do devido processo legal). Agora, firme em suas convicções, ele precisa levar o acusado perante um juiz para que seja devidamente julgado. A questão é que a filha do homem preso, interpretada pela linda atriz Virginia Mayo, também quer justiça, mas ao seu modo. Douglas e Mayo inclusive soltam faíscas de atração no meio do deserto. Uma dupla que deu muito certo e que trouxe muita paixão reprimida para a tela. Com cabelos curtinhos e jeito até bem rude, Mayo acaba roubando todas as atenções por causa de sua personalidade ao mesmo tempo geniosa e sensual. Então é isso. "Embrutecidos Pela Violência" é muito mais do que aparenta ser. Um bom argumento, bem sólido e coerente, apoiado por um enredo que não nega os mais tradicionais cânones do western americano. / Embrutecido Pela Violência (Along the Great Divide, EUA, 1951) Direção: Raoul Walsh / Roteiro: Walter Doniger, Lewis Meltzer / Elenco: Kirk Douglas, Virginia Mayo, John Agar, Walter Brennan.

A Floresta Maldita (1952)
Jim Fallon (Kirk Douglas) é um madeireiro astuto e falastrão que após ter vários problemas na costa leste resolve ir até as fronteiras do oeste selvagem em busca de novas florestas para devastar e fazer fortuna. Chegando na Califórnia ele encontra uma rica reserva natural mas encontra obstáculos para colocar as mãos em toda a matéria prima pois a terra é disputada por madeireiros rivais e um grupo religioso que pretende preservar as milenares árvores do local. Se fazendo passar por um rico milionário que quer apenas preservar a rica floresta ele acaba conseguindo finalmente a posse da mata. Agora terá que escolher entre explorar comercialmente a madeira do local ou ouvir sua consciência deixando intacta a floresta e suas árvores suntuosas e majestosas. Esse “A Floresta Maldita” tem um roteiro ecológico, e isso muitas décadas antes da ecologia virar moda. Claro que a consciência de se preservar as florestas não tem a mesma abrangência do que atualmente se vê mas mesmo assim o roteiro tenta de todas as formas mostrar que também é importante preservar a riqueza natural por sua importância para as futuras gerações. Embora seja um filme muito bem intencionado nesse aspecto “A Floresta Maldita” também apresenta problemas. Em vários momentos a estória se torna truncada e mal desenvolvida, há um excesso de detalhes jurídicos envolvendo a trama que só a torna cansativa e arrastada. O roteiro perde muito potencial discutindo quem seria o verdadeiro possuidor da floresta e quem teria o direito de explorar toda aquela madeira. O personagem de Kirk Douglas, por exemplo, passa quase todo o tempo tentando driblar a lei, forjando documentos falsos ou então elaborando novas fraudes para tomar conta de tudo. Isso acaba deixando o ritmo enfadonho e pouco atraente. As coisas de fato só melhoram mesmo quando o filme finalmente vai se aproximando de seu final. A questão jurídica é deixada de lado para apostar em boas cenas de ação. Na melhor delas o personagem de Kirk Douglas, tal como um Indiana Jones do faroeste, pula em cima de um trem em movimento que caminha para o abismo. Sua intenção é salvar a mocinha, separar o vagão onde ela está do restante da locomotiva e parar o mesmo antes que atravesse uma ponte de madeira sabotada!  Ufa! Cenas como essas literalmente salvam o filme da primeira parte mais arrastada e chata. No saldo final poderia realmente ser bem melhor mas do jeito que está até que diverte, apesar de alguns erros. Fica então a recomendação para os cinéfilos fãs do bom e velho Kirk Douglas. / A Floresta Maldita (The Big Trees, EUA, 1952) Direção: Felix E. Feist / Roteiro: John Twist, James R. Webb / Elenco: Kirk Douglas, Eve Miller, Patrice Wymore / Sinopse: Inescrupuloso e ganancioso madeireiro vai até a Califórnia com o objetivo de devastar uma rica floresta local. A tarefa porém não será nada fácil pois ele terá que enfrentar um grupo religioso que luta pela preservação da natureza e comerciantes de madeira rivais.

A Um Passo da Morte (1955)
Johnny Hawks (Kirk Douglas) lidera uma caravana de pioneiros no meio de um território indígena. Embora pacificadas as tribos do local vivem em tensão com os brancos por causa de minas de ouro recentemente descobertas. Um dos membros da caravana, Wes Todd (Walter Matthau), está particularmente interessado em descobrir o exato local dessas ricas minas. Para isso usará de todos os meios para ter em mãos a localização dessa imensa riqueza mineral. "A Um Passo da Morte" é uma produção de encher os olhos do espectador. O filme foi todo rodado na maravilhosa reserva natural de Bend, no Estado norte-americano do Oregon. Isso trouxe ao filme uma das mais belas fotografias que já vi em um faroeste dos anos 50. Rios de águas límpidas, montanhas e muito verde desfilam pela tela como um verdadeiro brinde aos espectadores. Junte-se a isso um bom roteiro, socialmente consciente, mostrando o profundo respeito dos índios em relação às riquezas naturais da região e você terá um belo western como resultado final. O filme é curto, menos de 80 minutos, mas muito eficiente. Um dos destaques é a ótima cena de ataque dos guerreiros Sioux contra o forte do exército americano. Usando de cavalos, flechas e lanças de fogo os indígenas demonstram ter bastante conhecimento de táticas de guerra e combate. A cena é excepcionalmente bem filmada e o próprio forte construído na locação impressiona pelo tamanho e realismo. Certamente não foi uma produção barata o que era bem do feitio do astro Kirk Douglas que sempre procurou o melhor em termos de produção para seus filmes. Aqui obviamente não seria diferente. Curiosamente o filme foi dirigido pelo húngaro André de Toth, um cineasta versátil que se saía bem dirigindo os mais diversos tipos de filmes, de faroestes a dramas, passando por alguns clássicos do terror (como "Museu de Cera" ao lado do amigo Vincent Price). Em conclusão recomendo sem hesitação esse excelente western bucólico, com lindas locações naturais, um belo romance ao fundo e muitas cenas de ação e conflitos. Está mais do que recomendado. / A Um Passo da Morte (The Indian Fighter, EUA, 1955) Direção: André de Toth / Roteiro: Frank Davis, Robert L. Richards / Elenco: Kirk Douglas, Walter Matthau, Elsa Martinelli, Lon Chaney Jr / Sinopse: Johnny Hawks (Kirk Douglas) lidera uma caravana de pioneiros no meio de um território indígena. Embora pacificados as tribos do local vivem em tensão com os brancos por causa de minas de ouro recentemente descobertas. Um dos membros da caravana, Wes Todd (Walter Matthau), está particularmente interessado em descobrir o exato local dessas ricas minas. Para isso usará de todos os meios para ter em mãos a localização dessa imensa riqueza mineral.

Sem Lei e Sem Alma (1957)
Entre tantas histórias que ficaram célebres no velho oeste poucas conseguiram alcançar a fama do tiroteio ocorrido no Ok Corral em Tombstone, Arizona. De um lado o lendário xerife Wyatt Earp (Burt Lancaster), seus irmãos e Doc Holliday (Kirk Douglas), do outro lado o bando dos irmãos Clanton. Ambos se enfrentaram face a face, cada um a poucos metros do outro, armas em punho, um duelo que entrou para a história e que foi fartamente explorado no cinema durante todos esses anos. Esse "Sem Lei e Sem Alma" é até hoje considerado uma das melhores versões já feitas sobre o evento. O roteiro é extremamente bem trabalhado, nitidamente dividido em dois atos que se fecham e se complementam de forma perfeita. No primeiro ato acompanhamos a chegada de Wyatt Earp numa pequena cidade do velho oeste. Ele vem no encalço de Johnny Ringo (John Ireland) e seu bando. Lá se aproxima do pistoleiro e jogador inveterado Doc Holliday e acaba salvando sua vida ao ajudá-lo a fugir de seu próprio linchamento. No segundo ato encontramos os personagens já em Tombstone, a lendária cidade, onde nos 15 minutos finais do filme ocorrerá o famoso confronto no O.K. Corral. Burt Lancaster e Kirk Douglas estão perfeitos em seus papéis. Kirk Douglas em especial encontrou grande afinidade entre sua própria personalidade expansiva e extrovertida e a figura do lendário Doc Holliday. Esse como já tive a oportunidade de escrever é realmente um personagem à prova de falhas. Um dentista corroído pela tuberculose que ocupava todo seu tempo jogando cartas e se envolvendo em confusões pelas cidadezinhas por onde passava. O que fazia de Doc um ótimo pistoleiro é que seu instinto de preservação já não era tão acentuado pois sempre se via no limite, à beira da morte, por isso para ele tanto fazia morrer em um tiroteio ou escapar vivo para mais um duelo à frente. Sua frieza e pontaria certeira o transformaram em uma lenda do velho oeste. Já Wyatt Earp também encontrou um ator ideal em Burt Lancaster. Íntegro, honesto e temido, procurava manter a lei em uma região infestada de facínoras e bandoleiros. O duelo no O.K. Curral foi apenas uma das inúmeras histórias envolvendo esse famoso homem da lei. Para finalizar é bom salientar que a despeito de sua imensa qualidade cinematográfica, "Sem Lei e Sem Alma" não é completamente fiel aos fatos históricos. O próprio duelo final, razão de existência do filme, não ocorreu da forma mostrada no filme. De fato os eventos reais foram bem mais simples, pois os dois grupos rivais estavam frente a frente, a poucos metros uns dos outros. No filme há toda uma sequência de cenas que não existiram como a queima da carroça, por exemplo. Johnny Ringo, o famoso pistoleiro, também não estava no confronto do O.K. Ele foi morto tempos depois no meio do deserto. Suspeita-se que foi morto por Doc Holliday pois ambos tinham uma rivalidade antiga que só seria resolvida com armas em punho. De qualquer forma esses detalhes em nada diminuem a extrema qualidade de "Sem Lei e Sem Alma", que hoje é considerado merecidamente um dos melhores westerns já realizados. Uma obra prima certamente. / Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the O.K. Corral, EUA, 1957) Direção: John Sturges / Roteiro: Leon Uris baseado no artigo escrito por George Scullin / Elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Rhonda Fleming, Jo Van Fleet, John Ireland, Frank Faylen, Ted de Corsia, Dennis Hopper, DeForest Kelley, Martin Milner / Sinopse: Wyatt Earp (Burt Lancaster), seus irmãos e Doc Holliday (Kirk Douglas) resolvem enfrentar cara a cara um bando de ladrões de gado no O.K. Corral em Tombstone, Arizona.

Sua Última Façanha (1962)
Um grande filme! Resolvi assistir depois de tomar conhecimento de que esse era o filme preferido do próprio Kirk Douglas. Depois de conferir devo dizer que concordo com o ator em gênero, número e grau. Embora tenha estrelado vários e vários clássicos ao longo de uma das carreiras mais produtivas e bem sucedidas em Hollywood não há em sua extensa filmografia nenhum filme que tenha tanto coração e sentimento como esse. Um roteiro que lida de maneira primorosa com o fim de um amado estilo de vida que definiu vários dos grandes heróis da história dos EUA. O grande mérito aqui é que Douglas, o diretor David Miller e principalmente o roteirista Dalton Trumbo conseguiram reunir vários gêneros em um só filme, com resultado bem acima da média. Se pode pensar que "Lonely Are The Brave" é apenas um western temporão, de um estilo que já estava se tornando fora de moda, mas isso é uma visão simplista. O filme passeia tranquilamente por vários estilos e gêneros, tangenciando os filmes policiais, on the road e até mesmo os dramas românticos, isso sem perder a direção em momento algum. Passado no moderno oeste americano somos apresentados ao personagem John W. "Jack" Burns (Kirk Douglas). Ele é um velho cowboy que tenta manter vivo seu estilo de vida em um mundo que definitivamente nada mais tem a ver com o passado. No meio de auto estradas, aviões a jato e carros modernos, Burns tenta manter de alguma forma intacta a figura mitológica do cowboy do velho oeste. Claro que agindo assim ele logo encontra problemas com a lei, com a sociedade e com a mentalidade moderna. Os jovens o acham uma peça de museu mas ele insiste em manter sua dignidade intacta. Duas coisas impressionam no filme: O lirismo subliminar do roteiro e a eficiente caçada final a Burns em uma montanha rochosa íngreme. Algumas cenas são as melhores que já vi. Fiquei imaginando como devem ter sido complicadas as filmagens em loco, até porque subir com um cavalo em um ambiente daqueles é quase impossível (em muitos momentos fiquei realmente receoso do cavalo e do dublê de Douglas caírem montanha abaixo, tal o perigo das tomadas feitas). Em conclusão podemos afirmar que "Sua Última Façanha" é uma excelente crônica sobre a mudança de costumes que se sucedem de uma época histórica para outra. O velho mito que se depara com os desafios da modernidade. Em vista de tudo isso certamente vai agradar aos fãs de western e também aos que querem conhecer melhor essa fase de mudanças profundas no modo de viver dos mitos do passado. Vale muito a pena conhecer, certamente. / Sua Última Façanha (Lonely Are the Brave, EUA, 1962) / Diretor: David Miller / Roteiro: Dalton Trumbo / Elenco: Kirk Douglas, Gena Rowlands, Walter Matthau / Sinopse: Para libertar Bondi (Gena Rowlins), sua melhor amiga, Jack Burns (Kirk Douglas) deixa-se prender. Depois de saber que Bondi não quer sair de lá, Burns é tido como fugitivo e passa a ser perseguido pela polícia. Baseado no livro de Edward Abbey, The Brave Cowboy.

Gigantes em Luta (1967)
Terceira e última parceria entre os grandes astros John Wayne e Kirk Douglas. No filme Wayne interpreta Taw Jackson que resolve se unir ao pistoleiro e ladrão Lomax (Kirk Douglas) para colocar em prática um plano mais do que ousado: roubar um carregamento de ouro no valor de 500 mil dólares. O grande desafio deles é além de enfrentar a forte segurança que acompanha a fortuna, conseguir vencer a própria carroça que transporta o ouro pois essa é fortemente armada com um potente metralhadora, além de ser blindada, se tornando praticamente inexpugnável. “Gigantes em Luta” é um western de pura ação, com muitas cenas de conflitos e tiroteios. Durante as filmagens Kirk Douglas teve uma surpresa que o impactou. John Wayne havia perdido o pulmão em uma complicada operação três anos antes contra o câncer e estava bem debilitado fisicamente, precisando recorrer regularmente a uma bolsa de oxigênio para dar conta das complicadas filmagens (que lhe exigiam muito do ponto de vista físico). Douglas assim passou todo o tempo muito preocupado com o estado de Wayne, tendo que conciliar sua preocupação em atuar bem com a saúde do colega. Uma das “estrelas” do filme era a própria carroça blindada que levava o carregamento de ouro, chamada “War Wagon”. Durante anos ela foi exposta no parque temático da Universal ao lado de vários outros artefatos famosos de filmes clássicos. O curioso é que a “War Wagon” era na realidade feita de madeira pintada para parecer aço e ferro. Com o uso de efeitos sonoros (para recriar o som característico dos metais) completou-se a ilusão de que se estava na presença de uma carroça realmente blindada. O diretor de “Gigantes em Luta” era Burt Kennedy, que se deu tão bem com o astro Wayne que esse o trouxe de volta para dirigir “Chacais do Oeste” cinco anos depois. O diferencial é que Kennedy sempre procurava respeitar os limites que a saúde de John Wayne exigia. Assim ele procurava filmar as cenas com o ator de forma concentrada, para evitar deixar Wayne por longas horas à espera de trabalhar em suas cenas. Também sempre deixava o ator à vontade, sem aquele clima de tensão no set, algo bem típico de Hollywood. O resultado de tudo é mais um belo western na filmografia de John Wayne, aqui ao lado de outro mito do cinema americano, Kirk Douglas. Simplesmente imperdível para os fãs do gênero. / Gigantes em Luta (The War Wagon, EUA, 1967) Direção: Burt Kennedy / Roteiro: Clair Huffaker, baseado em sua novela, The War Wagon / Elenco: John Wayne, Kirk Douglas, Howard Keel, Robert Walker Jr, Keenan Wynn / Sinopse:  Dois ladrões se unem para roubar uma carroça blindada que transporta um grande carregamento de ouro no valor de 500 mil dólares.

Ambição Acima da Lei (1975)
Howard Nightingale (Kirk Douglas) é um delegado do Texas com grande ambição política. Pomposo e vaidoso transforma cada prisão que realiza em propaganda para sua campanha. Seu grande objetivo é ser eleito senador do Texas no congresso americano. Para isso viaja de cidade em cidade em sua própria locomotiva ao lado de seu grupo de auxiliares, todos impecavelmente bem vestidos. A grande chance de conquistar muitos votos surge na captura do bandido mais procurado do estado, o ladrão de trens Jack Strawhorn (Bruce Dern). Após eliminar todo o seu bando, Nightingale consegue encurralar o bandido perto de uma cidadezinha do velho oeste. Após a captura o leva para lá e realiza um verdadeiro comício com o evento, com direito a banda de música e tudo. Depois decide levar o criminoso para Austin onde pretende literalmente exibi-lo como troféu pelas ruas da grande cidade, obviamente tentando com isso angariar o maior número possível de votos para sua eleição ao senado. No caminho porém as coisas saem do controle e agora Nightingale terá que provar que não é apenas um político falastrão mas um delegado de verdade. “Ambição Acima da Lei” foi um projeto muito pessoal do ator Kirk Douglas. Aqui ele atua, dirige e produz um western dos mais interessantes, uma verdadeira crítica à classe política de seu país, onde homens públicos utilizam aspectos inerentes aos seus deveres para única e exclusivamente se auto promoverem. O delegado interpretado por Douglas é um sujeito que se torna extremamente ambicioso em alcançar uma carreira política de sucesso e se distrai de suas verdadeiras obrigações como homem da lei. O roteiro se aproveita para no final o colocar como vítima da ambição de seus homens, o fazendo saborear do próprio veneno. Aliás o clímax de “Ambição Acima da Lei” é um dos mais inteligentes do cinema americano. Muito ácido e corrosivo, expõe as vísceras dos homens públicos de lá. Outro aspecto a chamar a atenção é que o filme foi realizado em 1975, já no ocaso do gênero, com Kirk Douglas bem veterano, mas tentando manter a chama do faroeste acessa. O resultado não poderia ser melhor, um filme inteligente, intrigante e com um raro sabor de crítica social. / Ambição Acima da Lei (Posse, EUA, 1975) Direção: Kirk Douglas / Roteiro: Christopher Knopf, William Roberts / Elenco: Kirk Douglas, Bruce Dern, Bo Hopkins / Sinopse: Delegado do Texas (Kirk Douglas) não perde a chance de fazer campanha política por onde passa. Nem quando prende o mais perigoso bandido do estado deixa de se auto promover visando ser eleito ao senado dos Estados Unidos. Sua subida ao poder porém sofrerá uma série de problemas.

Cactus Jack - O Vilão (1979)
Um xerife do velho oeste que mais parece uma montanha de músculos chamado Handsome Stranger (Arnold Schwarzenegger) serve como escolta para a bela Charming Jones (Ann-Margret) mas ambos correrão grande perigo pois um perigoso vilão chamado Cactus Jack (Kirk Douglas) pretende colocar as mãos no dinheiro que ela carrega na viagem. Na década de 80 essa comédia passada no velho oeste ganhou várias reprises na TV aberta brasileira. È um tipo de estilo que certamente não agradará a todos. Se você é um fã de filmes de western então tudo ficará muito mais complicado pois o roteiro brinca bastante com os clichês do gênero. Para os fãs do astro brutamontes Arnold Schwarzenegger a produção vai servir como uma grande curiosidade uma vez que ele na época ainda não era o campeão de bilheteria dos anos que viriam. Seu papel é simpático e o fortão procura não estragar o estilo cômico da produção. Kirk Douglas e Ann-Marget da era clássica de Hollywood também não parecem se importar muito. Desligue o cérebro e tente se divertir. / Cactus Jack - O Vilão (EUA, 1979) Direção: Hal Needham / Roteiro: Robert G. Kane / Elenco: Kirk Douglas, Ann-Margret, Arnold Schwarzenegger, Footer Brooks.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

10 Curiosidades sobre "Rastros de Ódio"

1. John Wayne considerava o personagem Ethan o melhor de toda a sua carreira, tanto que resolveu batizar seu próprio filho com seu nome. Ethan Wayne, assim John resolveu chamar seu jovem filho, nascido logo após a conclusão do clássico western.

2. Durante as filmagens um jovem garoto Navajo, que trabalhou no filme como figurante, ficou seriamente doente. Vendo sua situação o ator John Wayne resolveu chamar seu avião particular para levar o garoto até um hospital de Los Angeles, onde poderia receber o tratamento adequado. Por causa do fato ele passou a ser chamado de "O Homem do grande pássaro" pelos nativos que trabalhavam no filme.

3. A atriz Natalie Wood era tão jovem quando participou do filme que muitas vezes o próprio John Wayne (ou seu coadjuvante Jeffrey Hunter) iam até sua escola para pegar Natalie para as filmagens. Isso obviamente acabou causando uma grande excitação entre os jovens estudantes. Afinal ter o ídolo John Wayne na porta da escola esperando por Natalie não era uma coisa costumeira de acontecer em nenhum lugar do mundo.

4. Baseado no roteiro do filme o cantor e roqueiro Buddy Holly (morto precocemente em 1959) resolveu escrever uma canção sobre a garota do filme. Essa música foi intitulada de "That'll be Day" e se tornou um de seus maiores hits.

5. O American Film Institute classificou "Rastros de Òdio" como um dos dez melhores filmes norte-americanos da história, de todos os tempos.

6. Na cena em que Ethan (Wayne) faz o discurso sobre o desaparecimento da jovem interpretada por Natalie Wood - uma das cenas mais importantes do filme - houve um fato inusitado. Wayne realizou perfeitamente o primeiro take, mas o diretor John Ford descobriu logo após sua atuação terminar que a câmera estava desligada! O ator Ward Bond havia tirado a tomada da câmera para ligar seu barbeador! Ford ficou possesso com o take perdido e tudo precisou ser refeito!

7.  O papel do jovem oficial da cavalaria foi interpretado pelo próprio filho de John Wayne, Patrick. O pai queria que o filho tivesse uma bela carreira no cinema como ele, mas Patrick Wayne nunca conseguiu se tornar um astro.

8. Segundo confessou anos depois David Lean, o grande cineasta de tantos clássicos, usou "Rastros de Ódio" como modelo para as cenas externas, explorando longas paisagens, em seu clássico imortal "Lawrence da Arábia". Lean qualificava o filme de John Ford como o "Filme Perfeito!".

9. Durante as filmagens o diretor John Ford foi picado por um escorpião do deserto. Os executivos da Warner ficaram preocupados pois havia muito dinheiro envolvido na produção. Ao entrar em contato com John Wayne sobre o incidente o produtor do filme ouviu sua opinião sobre o ocorrido: "Não se preocupe! John Ford é um sujeito durão! Quem acabou morrendo foi o escorpião!".

10. O roteiro foi inspirado no conto intitulado "Os Perseguidores Texanos". Anos depois o roteirista  Frank Nugent explicaria que ele só tinha usado mesmo a ideia original, a base do enredo. Todo o resto foi criado já que um conto literário não tinha elementos suficientes para preencher um roteiro de um longa-metragem como o que John Ford queria filmar.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

10 Curiosidades sobre "Três Homens em Conflito"

10 Curiosidades sobre "Três Homens em Conflito"
1. O diretor Sergio Leone incentivou o elenco a improvisar em cena. Um dos maiores exemplos acontece na cena em que o personagem do ator Eli Wallach entra em uma loja de armas. Ali não havia nada escrito no roteiro e ele precisou improvisar praticamente toda a cena, principalmente quando manuseia os revólveres. Essa improvisão porém nem sempre deu certo. Na cena do trem o ator passou por apuros após seu cavalo se assustar com o som de um tiro dado por um dos figurantes. Com as mãos amarradas Eli Wallach passou por um aperto e tanto para controlar o animal. Curiosamente como Wallach não falava italiano e nem Leone inglês ambos decidiram se comunicar falando francês entre si.

2. O cemitério confederado chamado de Sad Hill Cemetery pelo roteiro foi totalmente construído pela equipe do filme. Não houve autorização para que Leone filmasse em um cemitério real. Assim eles resolveram recriar todo o lugar, usando como modelo uma foto antiga de um cemitério real das tropas rebeldes durante a guerra civil.

3. Embora não fosse o mesmo personagem dos dois filmes anteriores de Sergio Leone, Clint Eastwood resolveu usar praticamente o mesmo figurino que havia usado nas outras produções. O pistoleiro sem nome assim usou o mesmo ponche que havia usado em "Por um Punhado de Dólares" e "Por uns Dólares a mais". No filme o personagem de Eli Wallach o chama de "blondie", mas esse é apenas um nome genérico que significa "loiro" ou "loirinho", não sendo o verdadeiro nome do pistoleiro.

4. O filme foi um dos mais caros da carreira de Sergio Leone, realizado ao custo de mais de um milhão de dólares (uma verdadeira fortuna para a época). Na versão americana houve quatro cortes para que o filme não ficasse tão longo, o que iria prejudicar sua carreira comercial. Apenas alguns anos depois o público americano finalmente pôde assistir a versão completa que foi lançada em alguns cinemas e no mercado de vídeo.

5. Sergio Leone resolveu que não haveria nenhum diálogo nos dez primeiros minutos de filme, algo que assustou os produtores. Leone queria captar o clima do velho oeste. O estúdio só aceitou a decisão do diretor quando o ator Clint Eastwood o apoiou. Ninguém queria ter problemas com o astro e maior chamariz de bilheteria do filme.

6. Leone queria realismo total. Para isso acabou tendo problemas com o ator Lee Van Cleef. Numa das cenas ele deveria bater em uma mulher, lhe aplicando vários murros e chutes. A cena incomodou Cleef que tentou convencer o diretor a mudar de ideia. Leone porém não aceitou as sugestões de Lee Van Cleef e ordenou que tudo fosse feito como estava no roteiro. Para Lee Van Cleef a cena acabou sendo uma das mais complicadas de realizar, conforme ele diria depois em uma entrevista.

7. Apenas Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach falavam inglês de forma fluente. Todos os demais atores ou só falavam italiano ou espanhol. Para resolver esse problema o diretor Sergio Leone determinou que eles falassem suas línguas naturais durante as filmagens. Apenas depois todos seriam dublados em inglês para o lançamento internacional do filme.

8. O famoso tema do filme foi composto pelo genial maestro e compositor Ennio Morricone. Anos depois ele explicaria que sua intenção na melodia foi imitar o som de um chacal no meio do deserto. Quando foi contratado por Sergio Leone ele resolveu tentar várias ideias por duas semanas antes de mostrar a música para o diretor. Só depois de gravar tudo com sua orquestra é que finalmente mostrou a Leone o resultado final. Esse tema acabou se tornando um dos mais conhecidos do gênero western em todos os tempos, chegando a ser lançado como trilha sonora não apenas no mercado europeu, mas no americano também, se tornando campeão de vendas, algo raro nesse segmento na época.

9. Orson Welles aconselhou Sergio Leone a desistir de mostrar imagens da guerra civil americana, isso porque Welles achava que filmes sobre a guerra civil estavam fora de moda e não fariam mais sucesso de bilheteria. Leone, felizmente, não seguiu seus conselhos. O filme, como se sabe, foi um grande sucesso de bilheteria.

10. Charles Bronson foi convidado duas vezes para fazer parte do elenco. Na primeira vez Sergio Leone o chamou para viver o personagem Tuco e depois para interpretar o pistoleiro vilão que acabou sendo feito por Lee Van Cleef. Embora Bronson estivesse muito interessado em trabalhar no filme não houve tempo. Ele estava trabalhando em "Os Doze Condenados" e o filme acabou atrasando seu cronograma original, levando muito tempo para ficar pronto. Assim ele teve que desistir. Já Clint Eastwood aceitou participar em troca de um cachê de 250 mil dólares, mais uma Ferrari dada pelo estúdio italiano.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Três Homens em Conflito

Certamente é um dos melhores filmes de Sergio Leone. Também foi aquele que marcou sua despedida ao lado de Clint Eastwood. Seus méritos cinematográficos porém não se limitam a isso. Para muitos críticos americanos essa produção marcou também o auge do chamado Spaghetti Western em sua história. A verdade é que o faroeste italiano havia realmente chegado em um pico de criatividade e originalidade que muitos sequer poderiam acreditar. Leone foi o melhor representante desse momento de ouro para o estilo. Além do mais, verdade seja dita, "Três Homens em Conflito" não deixava mesmo nada a dever em relação ao western "Made in USA" da época.

Com ótima produção - mostrando riqueza de detalhes em cenários, locações, fotografia e figurinos - o filme ainda apresentava um roteiro muito engenhoso que, a despeito de contar um enredo simples, conseguia prender a atenção do espectador do começo ao fim, mesmo tendo quase três horas de duração!. Nunca chegava a ser cansativo e apresentava uma sucessão de cenas realmente memoráveis. Talvez, olhando em retrospectiva, esse seja o melhor filme de Sergio Leone, só sendo equiparado pelo clássico absoluto "Era uma Vez no Oeste" rodado dois anos depois. Ali Leone realmente chegava na perfeição em termos puramente estilísticos e de linguagem.

O enredo do filme é auto explicativo em seu próprio título. Embora o título nacional seja adequado, é interessante chamar a atenção para seu título original que em nossa língua significa "O Bom, O Mau e o Feio". O "bom" é o pistoleiro sem nome interpretado por Clint Eastwood. Na verdade ele não é um mocinho tradicional. Vive de golpes dados ao lado do "feio" interpretado brilhantemente por Eli Wallach, esse sim um patife sem salvação. Procurado por várias cidades do velho oeste ele finge ser capturado por Clint para com ele dividir depois o dinheiro da recompensa. Já o "mau" Lee Van Cleef entra em cena quando descobre haver um carregamento de moedas de ouro que foi enterrado por um soldado confederado. O tesouro está lá, só é necessário saber onde!

O personagem de Wallach sabe o cemitério onde estão enterrados os sacos com moedas de ouro no valor de 200 mil dólares e o pistoleiro sem nome de Eastwood sabe qual é a cova onde se deve cavar. Como três homens que não se confiam vão chegar no lugar certo sem antes se matarem em duelo? Em cima desse jogo de xadrez Leone tece sua obra. Além disso o que podemos dizer da épica e inesquecível trilha sonora composta por Ennio Morricone? Provavelmente seja um dos temas mais famosos já compostos para o cinema. A conclusão de tudo é uma só: esse é um faroeste essencial em sua coleção, um dos melhores já realizados. Tudo o que havia a consertar e melhorar em filmes anteriores como "Por um Punhado de Dólares" e "Por uns Dólares a mais" foi aprimorado nesse filme. Obra prima desse gênio da sétima arte chamado Sergio Leone.


Três Homens em Conflito (Il buono, il brutto, il cattivo, Itália, Espanha, Alemanha Ocidental, 1966) Direção: Sergio Leone / Roteiro: Luciano Vincenzoni, Sergio Leone / Elenco: Clint Eastwood, Eli Wallach, Lee Van Cleef  / Sinopse: Três pistoleiros, durante a guerra civil americana, disputam a localização e a posse de uma fortuna em moedas de ouro enterrada em um cemitério confederado. Filme indicado ao Laurel Awards na categoria de Melhor Ator (Clint Eastwood).

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Johnny Texas

Título no Brasil: Johnny Texas
Título Original: 1000 dollari sul nero
Ano de Produção: 1966
País: Itália, Alemanha
Estúdio: Cinecittà Studios
Direção: Alberto Cardone
Roteiro: Ernesto Gastaldi, Rolf Olsen
Elenco: Anthony Steffen, Gianni Garko, Erika Blanc, Carlo D'Angelo, Daniela Igliozzi, Franco Fantasia
  
Sinopse:
Depois de cumprir uma longa pena de prisão de doze anos, Johnny Liston (Anthony Steffen) retorna para sua cidade natal. Ao chegar descobre que o lugar em que nasceu agora vive sob terror, implantado por seu próprio irmão Sartana (Gianni Garko) que ao lado de uma quadrilha de assassinos e bandoleiros domina toda a região. Ele também descobre que sua antiga namorada Manuela e seu irmão, um rapaz deficiente, estão sendo oprimidos pela gangue de seu irmão mais velho. Assim ele resolve enfrentá-lo para trazer paz e justiça de volta aos moradores daquela sofrida cidade perdida no meio do oeste.

Comentários:
Um dos primeiros filmes italianos a explorar o personagem Sartana que foi criado pelo roteirista Ernesto Gastaldi. Assim como aconteceu com Django, Sartana acabou virando nome comercial de sucesso na época do auge do Western Spaghetti. Curiosamente ele também apareceu em situações e com personalidades diferentes ao longo dos anos. Aqui, em uma de suas primeiras aparições, Sartana é notoriamente um vilão, o chefe de um bando de assassinos que rouba, extorque e chantageia os moradores de uma pequena cidade. A justiça porém não tarda a chegar e vem nas mãos de seu próprio irmão, conhecido como Johnny Texas. É divertido perceber que o protagonista acabou sendo ofuscado pelo antagonista no filme, uma vez que Johnny Texas logo caiu no esquecimento enquanto Sartana deu nome a dezenas de outros filmes de sucesso. Assim o diretor Alberto Cardone acabou realizando um bom filme, com muita ação, tiroteios, tudo tendo como base a velha fórmula da justiça pelas próprias mãos. Por fim vale destacar a figura da mãe de Sartana e Johnny Texas. O título original do filme faz referência a um colar usado por ela que tem um símbolo bem interessante dentro da trama. A valorização da figura materna não poderia ser mais típica da cultura italiana da época. Então é isso, uma boa oportunidade de conferir um dos primeiros faroestes com o famoso Sartana nas telas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A Mancha de Sangue

Título no Brasil: A Mancha de Sangue
Título Original: At Gunpoint
Ano de Produção: 1955
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Alfred L. Werker
Roteiro: Daniel B. Ullman
Elenco: Fred MacMurray, Dorothy Malone, Walter Brennan, Tommy Rettig, Skip Homeier, Irving Bacon
  
Sinopse:
Durante um assalto a banco na pequena cidadezinha de Plainview, no Texas, o xerife é morto pelos criminosos. Ao passarem pela rua principal da cidade em fuga, um comerciante chamado Jack Wright (Fred MacMurray) resolve atirar nos ladrões e o líder do bando é morto com um tiro certeiro, caindo de seu cavalo. O resto do grupo foge. Dias depois começam os rumores que eles estarão de volta para vingar a morte do chefe da quadrilha. Isso coloca Jack em uma situação delicada, já que ele nunca foi um pistoleiro e não sabe como enfrentará os bandoleiros quando eles retornarem. Pior do que isso, as pessoas da cidade decidem lhe abandonar à própria sorte.

Comentários:
O tema desse bom faroeste é a covardia. O protagonista Jack Wright (Fred MacMurray) é apenas um comerciante pacato da cidade que mata um violento criminoso durante um assalto a banco de sua cidade. Isso o torna alvo do restante da quadrilha que jura vingar a morte do comparsa. Jack não é um às do gatilho, não tem experiência com armas e nem nada do tipo. Ele é apenas um pai de família que tentou proteger seus entes queridos e agora se vê a mercê de criminosos sem ter como vencê-los em um duelo - que parece estar cada vez mais próximo. Depois da morte do xerife de Plainview ninguém também parece disposto a aceitar o cargo. Nem mesmo um Marshall federal que passou pela cidade para investigar o assassinato parece disposto a ficar por lá quando a quadrilha retornar. O roteiro desse filme me lembrou em certo aspecto do clássico western "Matar ou Morrer" onde o ator Gary Cooper interpretava um xerife que era abandonado pela cidade inteira, tendo que enfrentar sozinho um bando de renegados e criminosos. Esse filme lançado três anos depois bebia da mesma fonte do faroeste com Cooper, mas claro com pretensões bem mais modestas. Não há nada que lembre a tensão psicológica sufocante criada pelo diretor Fred Zinnemann naquele clássico absoluto do western americano, porém isso não quer dizer que "A Mancha de Sangue" seja fraco ou destituído de qualidades. Pelo contrário. Gostei bastante do desenvolvimento do enredo, principalmente pela direção ágil e eficaz do diretor Alfred L. Werker que deu um ritmo muito bom para o filme. Outra escolha que me pareceu muito acertada foi colocar o ator Fred MacMurray para interpretar o protagonista. Ele tinha um jeito de "Paizão" que combinou muito bem com seu personagem, um homem comum, honesto, que se vê numa situação que lhe foge ao controle. O clímax reafirma a bravura do homem que foi para o oeste, onde todos pareciam dispostos a se sacrificar para criar uma terra de lei e ordem, onde todo mundo pudesse viver em paz. Em suma, deixo a indicação desse pequeno, mas muito interessante faroeste. Os fãs do gênero certamente não terão do que reclamar.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O Homem do Perigo

Título no Brasil: O Homem do Perigo
Título Original: Tombstone - The Town Too Tough to Die
Ano de Produção: 1942
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: William C. McGann
Roteiro: Dean Riesner, Charles Reisne
Elenco: Richard Dix, Kent Taylor, Edgar Buchanan
  
Sinopse:
Tombstone é uma cidadezinha violenta do velho oeste americano. Infestada por bandidos, ladrões de gado e bandoleiros, a população já não sabe mais o que fazer para manter a lei a e ordem. Tudo muda com a chegada de Wyatt Earp (Richard Dix). Vendedor de pele de bufalos, pistoleiro e ás do gatilho, ele é o homem certo para ostentar a estrela de prata que lhe dá a autoridade de xerife no condado. Ao lado de seus irmãos e do pistoleiro Doc Holiday (Kent Taylor) ele resolve impor uma nova ordem na região, enfrentando todos os bandidos face a face, em especial os Daltons, um grupo de facínoras que o desafia publicamente. Ao se encontrarem no OK Curral acabam protagonizando uma das histórias mais conhecidas da mitologia do faroeste americano. Roteiro parcialmente baseado em fatos reais.

Comentários:
De todos os gêneros cinematográficos americanos o western sempre fora um dos mais lucrativos. Vários estúdios em seus primórdios faziam caixa justamente com esse tipo de filme. Ele tinha bilheteria certa, era muito bem sucedido em outros países (se tornando um produto de fácil exportação) e eram relativamente bem baratos de se produzir, só sendo necessário um figurino básico de época, cavalos, diligências e algumas armas antigas. A Universal, por exemplo, comprou um grande rancho na década de 1940 apenas para produzir seus filmes. A Paramount foi pelo mesmo caminho, produzindo uma série de filmes B em escala industrial que tinham como objetivo principal gerar lucros para a companhia. Tudo muito eficaz e rápido. Um deles foi esse "Tombstone - The Town Too Tough to Die". Apostar na história do xerife Wyatt Earp (Richard Dix) era seguramente uma ótima ideia. Colocar em destaque seu companheiro e amigo, o dentista e jogador inveterado Doc Holiday (Kent Taylor), também. Assim o filme acabou fazendo um belo sucesso nas matinês, onde os ingressos eram bem mais baratos e a garotada poderia se divertir sem problemas. Em termos de qualidade técnica a produção, por se tratar de um filme B, deixa um pouco a desejar. O roteiro é básico, sem muito desenvolvimento dos personagens, e a ação é usada muitas vezes para melhorar esse aspecto. Mesmo assim não há como negar que se trata de um bom faroeste, valorizado pelo bom elenco, procurando dar o melhor de si. A nostalgia para muitos também vai se tornar um ingrediente fundamental para se curtir esse filme. Boa diversão.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Edge

Título Original: Edge
Título no Brasil: Ainda não definido
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Amazon Studios
Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black, Fred Dekker
Elenco: Max Martini, Ryan Kwanten, Yvonne Strahovski
  
Sinopse:
Um grupo de soldados da União cerca um jovem rancheiro em busca de uma suposta caixa onde haveria ouro e joias, pertencente ao seu irmão mais velho. Como ele se recusa a entregar acaba sendo enforcado pelos soldados. Quando seu irmão finalmente chega no rancho jura vingança contra aquele ato bárbaro por parte daqueles militares. Ele então parte em busca de cada um dos membros daquele pelotão. Sua sede de justiça precisa ser saciada.

Comentários:
Telefilme produzido para ser exibido no canal a cabo Amazon (que não está disponível no Brasil). A primeira coisa que chama a atenção é que o filme tem uma curta duração (meros 62 minutos), justamente para ser encaixado na grade de programação desse canal (que é especializado, entre outras coisas, em séries tais como "The Man in the High Castle"). Essa curta duração o qualificaria como um media-metragem, tecnicamente falando. Por se tratar de uma produção para a TV a produção é bem mais modesta, porém digna. Os produtores informaram que seria uma espécie de remake de uma antiga série americana chamada "Edge". Em minha opinião está mais para um episódio piloto de uma nova versão desse mesmo seriado, uma vez que o próprio enredo é inconclusivo (dando margem a futuros episódios ou novos filmes). Outro fato que me chamou a atenção é que um dos roteiristas é o ex-diretor Fred Dekker. Ele dirigiu no passado um pequeno clássico de terror dos anos 80 chamado "A Noite dos Arrepios" e depois a desastrosa terceira sequência da franquia "RoboCop". Sua presença no roteiro justifica em parte alguns exageros em termos de sangue e tripas nas cenas de tiroteio. Em termos de elenco além do brutamontes inexpressivo Max Martini que interpreta o protagonista temos a linda atriz australiana Yvonne Strahovski que infelizmente tem uma participação muito pequena e sem importância. Em conclusão, eis aqui um filme feito para a TV a cabo, sem grandes atrativos ou inovações, que pode ser dispensado sem maiores problemas.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

História do Velho Oeste: General "Muralha" Jackson

"Meu Deus, fui atingido por meus próprios homens!" - Foi com essas palavras que o general confederado Thomas Jonathan Jackson ou "Muralha" Jackson tomou consciência que havia sido baleado por suas próprias tropas na Batalha de Chancellorsville em 2 de maio de 1863, no auge da guerra civil americana. Jackson retornava ao front ao lado de seus homens após enfrentar fogo pesado dos ianques quando em maio aos arbustos os soldados rebeldes o confundiram com soldados da União e abriram fogo em direção a ele! "Muralha" Jackson levou três tiros, dois abaixo do abdômen e um que estraçalhou o osso de seu braço esquerdo.

Após cair do cavalo, ainda bastante ensanguentado, o general acabou sendo levado por seus homens para o hospital de campanha do batalhão. Lá descobriu-se que o estrago das balas em seu braço era extremamente sério e que ele deveria ser amputado o mais rapidamente possível. Jackson, como homem de fibra, militar linha dura, não vacilou e mandou arrancar o braço fora ainda naquela tarde. Quando Robert Lee, comandante supremo das forças confederadas, ficou sabendo do ocorrido abalou-se pois Jackson era sem dúvida seu melhor general. Após ser informado dos acontecimentos declarou uma frase que ficou famosa: "O General Jackson perdeu seu braço esquerdo e eu o meu direito". Não havia dúvidas que Jackson havia sido até aquele momento realmente o braço direito de Lee na guerra.

A preocupação de Lee tinha razão de ser. Durante a guerra seu mais inteligente general ganhou o apelido de Muralha Jackson por causa de sua capacidade de repelir ataques inimigos e manter posições conquistadas no front de batalha. Sua tenacidade de não recuar um palmo atrás acabou fazendo com que os ianques começassem a lhe chamar de Muralha, pois ele definitivamente não arredava pé das posições onde se encontrava. Ao longo de inúmeros combates Jackson também mostrou ser um estrategista capaz de antecipar os movimentos do inimigo, criando assim formações de defesa que se mostravam extremamente duras de serem rompidas. Para Muralha Jackson o mais importante em uma guerra era não recuar, ficar firme, aguentar fogo cruzado e quando possível avançar posições. Em meio a guerra sangrenta, onde o sul geralmente perdia suas batalhas por não possuir a mesma capacidade econômica do norte, Jackson acabou virando ídolo dos sulistas, o que fez a Confederação o eleger quase como um garoto propaganda de sua causa perante os Estados rebeldes.

Comandante do Exército da Virgínia do Norte ele ficou famoso não apenas no Sul como no Norte também. Quando Lincoln enviou um pomposo general para enfrentar Muralha Jackson ele se gabou dizendo que iria destruir Jackson ainda naquele fim de semana. Muito espirituoso Lincoln disse: "As galinhas é que são sábias, pois apenas cacarejam após colocarem seus ovos". O presidente brincava assim com a mania de seus generais cantarem vitória antes do tempo. Depois, quando veio a derrota para Jackson e os confederados tomaram posse de quase mil cavalos da União o presidente se saiu com outra tirada bem humorada sobre o acontecimento: "Disso lamento, já que posso fazer novos generais a cada dia, mas cavalos não!".

Mesmo com uma carreira brilhante Jackson pagou caro pelo mal posicionamento de seus homens de artilharia, que no final das contas lhe custaria a vida! Depois de sete dias, agonizando de dores por causa da amputação (imagine as condições da medicina da época), Muralha Jackson finalmente morreu. A causa foi considerada incerta por causa das primitivas técnicas medicinais da época. Para alguns ele teria morrido de uma infecção generalizada após perder seu braço, para outros a causa de sua morte foi pneumonia contraída enquanto estava se recuperando da amputação. De uma forma ou outra sua morte acabou sendo uma premonição do que viria a acontecer com os confederados na guerra civil americana.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Os Cavaleiros da Sombra

Título no Brasil: Os Cavaleiros da Sombra
Título Original: The Shadow Riders
Ano de Produção: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS Entertainment
Direção: Andrew V. McLaglen
Roteiro:  Louis L'Amour, Jim Byrnes
Elenco: Tom Selleck, Sam Elliott, Dominique Dunne, Ben Johnson, Geoffrey Lewis
  
Sinopse:
Dois irmãos, Mac (Tom Selleck) e Dal Traven (Sam Elliott) retornam da guerra civil após o seu fim. Eles pretendem retomar o trabalho no rancho de sua família, mas ao chegarem lá descobrem que suas irmãs foram levadas por bandoleiros e foras-da-lei que infestam a região. Sem pensar duas vezes os dois irmãos então resolvem partir para o acerto de contas, restabelecendo a justiça naquela terra esquecida por Deus.

Comentários:
Telefilme muito bom, acima da média, que chegou a ser lançado no mercado de vídeo no Brasil nos tempos do VHS. É curioso que nessa mesma época o ator Tom Selleck foi convidado pelos diretores Steven Spielberg e George Lucas para estrelar seu novo filme, nada mais, nada menos, do que "Os Caçadores da Arca Perdida"! Pois é, Selleck foi o primeiro ator a ser pensado para interpretar o famoso Indiana Jones. Infelizmente para todos os envolvidos ele não poderia fazer o filme pois havia assinado um contrato de exclusividade com o canal CBS, onde trabalhava atuando como o detetive Magnum na série de mesmo nome. Para amenizar um pouco a frustração de não ter feito uma das maiores bilheterias da história do cinema, Selleck acabou atuando nesse faroeste feito para a TV, para ser exibido na própria CBS. O resultado acabou sendo muito bom. O filme é bem realizado, tem uma produção muito boa (o que é de surpreender pelo fato de ser um telefilme) e ainda conta com um elenco realmente muito bom, com destaque para Sam Elliott, sempre uma excelente opção para esse tipo de filme ambientado no velho oeste americano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 24 de julho de 2016

Spencer Tracy - Broken Lance (1954)

Nesse fim de semana eu conferi mais um clássico do western americano. O filme se chama "Broken Lance" (no Brasil o filme recebeu o título de "Lança Partida"). A estória se passa no Arizona, no século XIX. Nessas terras desertas e hostis o velho patriarca Matt Devereaux (Spencer Tracy) construiu um império baseado na criação de gado em sua fazenda. Matt é da velha escola, um homem duro, austero, que não admite qualquer tipo de ameaça ao seu poder absoluto. O símbolo máximo de uma sociedade completamente patriarcal.

Ele tem quatro filhos, todos devidamente achatados pela personalidade dominante do pai. Entre eles se destacam o jovem mestiço Joe (Robert Wagner), o caçula do clã, e Ben (Richard Widmark), o mais velho dentre eles, um homem que não consegue abrir seus próprios caminhos na vida por causa de seu pai opressivo e dominador. O enredo segue uma linha mais tradicional dos antigos faroestes, mas tem uma inesperada reviravolta (de natureza jurídica) que o transforma quase em um filme de tribunal. Uma mineradora da região está jogando cobre nas águas dos rios que cortam a fazenda dos Devereauxs. Algumas cabeças do rebanho morrem envenenadas pelo metal pesado e o velho Matt parte para dar o troco nos mineradores. Isso claro com revólver em punho, como era costume naqueles tempos pioneiros.

O diretor Edward Dmytryk joga então luzes sobre esse enredo (cujo roteiro foi premiado com o Oscar) de forma muito talentosa, mas quem rouba o filme todo para si é o excelente elenco. A começar pelo veterano Spencer Tracy. Católico devoto, ele teve uma vida sentimental ao mesmo tempo muito discreta e comentada em Hollywood. Acontece que Tracy era muito próximo de Katherine Hepburn, a grande diva do cinema americano, recordista na premiação do Oscar. Essa aproximação sempre gerou boatos de que eles mantiveram um caso amoroso escondido por anos e anos a fio. Muitas biografias afirmam que eles se amavam muito, mas que nunca puderam se casar pelo fato de que Tracy já era casado e não poderia se divorciar da esposa, por causa da precariedade de sua saúde (ela passou anos em coma).

Essa pelo menos foi a versão que durou muito tempo, até a morte do casal. Recentemente um livro foi publicado nos Estados Unidos dando uma outra visão dos fatos. Para esse autor (que inegavelmente faz a linha mais sensacionalista), Spencer Tracy e Katherine Hepburn não tinham um verdadeiro caso de amor, mas apenas fingiam que tinham. Por quê? Porque ambos seriam gays! Sinceramente, não acredito muito nisso. E nem é por causa da Katherine, que era uma mulher cosmopolita e aberta a todo tipo de experiência sexual e emotiva, mas sim por causa de Spencer Tracy. Pensar que esse homem ultra conservador e religioso, sempre ligado aos valores mais tradicionais, pudesse ser gay é algo completamente fora da realidade de sua biografia e história. De qualquer forma se formos deixar as picuinhas de lado e nos concentrar apenas em seus bons filmes deixo aqui a dica desse faroeste clássico "Lança Partida", uma prova de que nas telas o velho Spencer Tracy ainda conseguia impressionar, mesmo com a idade já bem avançada.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A Quadrilha dos Renegados

Título no Brasil: A Quadrilha dos Renegados
Título Original: Fort Utah
Ano de Produção: 1967
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Lesley Selander
Roteiro: Steve Fisher, Andrew Craddock
Elenco: John Ireland, Virginia Mayo, Scott Brady, John Russell
  
Sinopse:
O ator John Ireland interpreta um ex-pistoleiro que está tentando recomeçar sua vida. Durante uma de suas jornadas pelos desertos do velho oeste ele acaba encontrando um grupo de passageiros de um trem atacado por índios. Juntos eles vão para um velho forte abandonado da cavalaria americana, enquanto tentam sobreviver a novos ataques de um grupo de guerreiros selvagens, que desejam matar todos os homens brancos que encontrarem pela frente. Além disso uma quadrilha de renegados chega na região, procurando dominar as terras daquele lugar inóspito e hostil. 

Comentários:
Um bom faroeste da Paramount Pictures que hoje em dia anda meio esquecido. Um dos bons destaques do roteiro é o desenvolvimento que tenta fazer de cada personagem em cena. Tom Horn, interpretado por John Ireland, é um pistoleiro veterano em busca de alguma saída. John Russell é Eli Jonas, um agente de viagens e guia que tenta sobreviver ao caos. Robert Strauss dá vida ao personagem Ben Stokes, um encarregado do governo para lidar com os problemas da causa nativa na região e Virginia Mayo (sempre muito bonita) interpreta Linda Lee, uma corista e dançarina, de passado obscuro, cheio de segredos que ela não deseja que sejam revelados. Esse foi o último western de Mayo que já estava com 46 anos de idade na época, prestes a deixar a carreira de atriz. Todos acabam encurralados no Forte Utah, esperando pela chegada da cavalaria que nunca vem... Já o vilão se chama Dajin (Scott Brady), o líder dos renegados que aproveitam as guerras indígenas para dominar as vastas terras daquela região. O diretor Lesley Selander tentou fazer um filme ao estilo dos grandes faroestes do passado, mas no final só conseguiu realmente produzir um western na média, o que não significa que seja ruim. É apenas de rotina. Diverte, mas nada muito surpreendente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.