segunda-feira, 24 de abril de 2017

Criminosos e Anjos

Título no Brasil: Criminosos e Anjos
Título Original: Outlaws and Angels
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Burnt Pictures
Direção: JT Mollner
Roteiro: JT Mollner
Elenco: Chad Michael Murray, Francesca Eastwood, Luke Wilson, Frances Fisher, Teri Polo, Madisen Beaty
  
Sinopse:
Uma quadrilha de ladrões de bancos foge após mais um assalto. Dois dos criminosos são baleados e mortos e imediatamente começa uma perseguição envolvendo homens da lei e caçadores de recompensas. Para fugir do cerco a quadrilha resolve tomar uma direção perigosa, indo pelo lado mais hostil do deserto. Com os cavalos mortos, sedentos de fome e sede, eles finalmente chegam em uma pequena fazenda, onde resolvem tomar de reféns toda a família que mora lá. Agora todos vão tentar sobreviver naquela armadilha mortal.

Comentários:
Muito bom esse western que tem em seu elenco a jovem atriz Francesca Eastwood. Pelo sobrenome famoso já deu para perceber seu parentesco. Ela é filha do mito Clint Eastwood e da atriz Frances Fisher. Ela interpreta a filha rebelde do fazendeiro que de repente se vê cercado pela quadrilha fugitiva. Eles fazem suas filhas e sua esposa de reféns, criando uma grande tensão. Curiosamente a personagem de Francesca Eastwood chamada Florence Tildon acaba se apaixonando pelo líder do bando de ladrões, Henry (Chad Michael Murray, com uma enorme cicatriz no rosto). Isso cria um clima de terror dentro da fazenda pois ela parece disposta a um sangrento acerto de contas com sua própria família. Enquanto todos ficam nesse clima de tensão e violência dentro da fazenda, um grupo liderado pelo caçador de recompensas Josiah (Luke Wilson) vai cercando o local. "Outlaws and Angels" é surpreendentemente bom! Tem um roteiro muito bem escrito, excelentes cenas e um elenco afiado. Talvez a única crítica maior que esse western moderno mereça é o excesso de violência. Desde a primeira cena, quando a quadrilha chega para assaltar o banco, até a última - em um desfecho até moralmente condenável - tudo é bem violento. Cabeças explodem e o sangue jorra à vontade. As pessoas mais sensíveis vão reclamar um pouco. Há também uma preocupação do diretor e roteirista JT Mollner em recriar algumas características do western spaghetti como a trilha sonora marcante e os closes nos rostos dos personagens em momentos de tensão e violência. De qualquer maneira no geral gostei muito. É um faroeste que não faz vergonha para a família Eastwood, muito pelo contrário. Não ficaria surpreso em saber que o próprio Clint teria ajudado no filme, seja em relação ao roteiro ou à direção. A filha de Clint mostra que tem futuro no gênero. Espero que ela venha a estrelar outros faroestes como esse, os fãs certamente irão agradecer!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 23 de abril de 2017

Alçapão Sangrento

Título no Brasil: Alçapão Sangrento
Título Original: Jack McCall, Desperado
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Sidney Salkow
Roteiro: John O'Dea, David Chandler
Elenco: George Montgomery, Angela Stevens, Douglas Kennedy, James Seay, Eugene Iglesias, John Hamilton
  
Sinopse:
Jack McCall (George Montgomery) é nascido no sul, porém resolve se alistar no exército do norte, da União, durante a guerra civil americana. Acusado de ser um espião sulista dentro do quartel general unionista, ele é preso, julgado e condenado à morte como espião. Desesperado, consegue escapar da prisão e passa a ser perseguido de forma violenta por soldados ianques, até que foge para uma reserva da nação Dakota.

Comentários:
"Jack McCall, Desperado" é mais uma produção B da Columbia que foi lançada nos anos 50. O filme foi estrelado por George Montgomery, um astro de faroestes de que nunca consegui gostar muito. Ele não era particularmente um bom ator e sempre parecia deslocado em cena. Ele só conseguia se sobressair quando a ação era o ponto focal dos filmes em que atuava. Assim os próprios produtores procuravam por roteiros mais rasos para que ele estrelasse. Nada de tramas muito rebuscadas, nem de personagens profundos. O que interessava era a sucessão de tiroteios e perseguições, o que com o tempo ficou mais conhecido popularmente como filmes de bangue-bangue. É um filme que não desgosta o fã de faroestes, mas que certamente também não vai adicionar nada de muito relevante na coleção. Melhor procurar por filmes mais interessantes e importantes do ponto de vista histórico.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Audie Murphy e o Western - Parte 3

Audie Murphy foi de certa forma um astro improvável. Ele não era muito alto, nem muito bonito e muito menos carismático. Sua entrada no cinema se deu por causa de sua notoriedade durante a II Guerra Mundial, uma vez que ele foi o militar mais condecorado da guerra. Sua capacidade de atuar dramaticamente era limitada, porém com tantas medalhas e fama de herói, era mesmo previsível que Hollywood o procurasse mais cedo ou mais tarde.

Sua estreia no cinema se deu em 1948. Era quase um teste que a United Artists fazia com ele, para ver se Audie levava jeito com a câmera. O filme se chamava "Viver Sonhando" e não era um filme de guerra e nem um faroeste. Dirigido por William Castle, um diretor e produtor especialista em filmes B, esse era um romance açucarado, onde Murphy não tinha muito espaço. Seu personagem tinha uma participação mínima dentro da trama e como já foi escrito tudo não passou de um teste para saber como Audie Murphy aparecia na tela grande dos cinemas.

Apesar de não ter sido grande coisa ele acabou sendo aprovado. Castle disse aos executivos do estúdio que ele levava jeito para a atuação. A única observação que ele disse para os produtores é que não o escalassem mais para filmes românticos, já que Audie Murphy definitivamente não fazia o tipo galã ao estilo Rock Hudson. Ele se sairia melhor interpretando caras comuns em situações excepcionais, que colocavam em desafio seus valores e sua bravura. A Paramount entendeu o recado e contratou Audie Murphy para um novo filme que estava prestes a ser produzido.

O filme se chamava "Código de Honra". Dirigido por John Farrow e estrelado pelo astro
Alan Ladd (de "Os Brutos Também Amam") esse filme era bem mais adequado para Murphy. Era um drama de guerra, passado nos campos de batalha da Tunísia, onde foram travados alguns dos mais sangrentos combates entre forças inimigas. A história girava em torno do capitão Rockwell 'Rocky' Gilman (Ladd) e suas idas e vindas entre os Estados Unidos e a Tunísia, a grande paixão de sua vida e as tentativas de ter um recomeço na vida. Audie Murphy interpretava um jovem cadete de West Point chamado Thomas. Foi a primeira vez que ele usou o mesmo uniforme militar com que tinha lutado na guerra em um filme. Uma prévia do que viria em sua carreira nos anos seguintes.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Emboscada Selvagem

A Allied Artists Pictures produziu muitos filmes como esse nos anos 1950. Eram produções de orçamentos mais modestos, sem nenhum grande astro no elenco. Tudo com o objetivo de economizar nos custos. Esse "Emboscada Selvagem" porém tem alguns méritos ao seu favor. O filme foi todo rodado em uma floresta de proteção ambiental em Bedon, no Oregon, o que lhe trouxe pelo menos uma bonita fotografia. O roteiro também explora a luta entre a cavalaria americana e os índios, o que torna tudo ainda mais interessante. Filmes sobre fortes do exército americano costumam ser nostálgicos e bons, acima de tudo.

O astro do filme é o loiro ator John Ericson. Ele era alemão de nascimento e teve apenas uma carreira discreta em Hollywood. No geral fez mais séries de TV do que cinema nos anos 1950. Ele interpreta esse oficial, o tenente Niles Ord. Durante uma patrulha na região ele descobre a localização de uma indígena que será dada em casamento ao líder dos guerreiros rebeldes, o selvagem Águia Negra. Sem saber direito o que fazer com ela o tenente decide levar a jovem índia para o forte e isso obviamente desperta a ira do violento chefe tribal e seus homens. Começa então um cerco ao forte. Como se isso não fosse ruim o bastante o comandante da tropa é um tolo, um arrogante, o Coronel Roland Dane (interpretado por Edward Platt, o "Chefe" da série Agente 86).

A esposa do Coronel foi namorada do Tenente no passado e isso cria uma rivalidade entre eles. A jovem garota parece ainda gostar de seu antigo namorado, deixando a tensão se espalhar entre esses oficiais da cavalaria. A produção de "Emboscada Selvagem" não é de encher os olhos e seu roteiro, que foi baseado numa novela escrita por Gordon D. Shirreffs, não é excepcional. Apesar de tudo isso o filme ainda diverte. Há uma boa cena final entre o tenente e o chefe Águia Negra. Uma luta de punhais em cima do monte. No geral é um filme curto (meros 80 minutos de duração) e simples em seus objetivos. Feito para as matinês ainda vale como diversão nostálgica, mas passa longe de ser uma obra prima do gênero.

Emboscada Selvagem (Oregon Passage, Estados Unidos, 1957) Direção: Paul Landres / Roteiro: Jack DeWitt, baseado na novela escrita por Gordon D. Shirreffs / Elenco: John Ericson, Lola Albright, Toni Gerry, Edward Platt / Sinopse: Tenente da cavalaria, prestando serviço militar em um forte remoto do exército americano, precisa não apenas lidar com os índios selvagens da região, como também com um comandante petulante, vaidoso e incompetente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 2

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 2
Os primeiros filmes de Randolph Scott foram apenas testes, formas do estúdio em verificar se ele ficava bem em cena. Sua estreia nas telas se deu em 1928, ainda no cinema mudo, em uma produção chamada "Rumo ao Amor". É curioso notar que desde os primeiros trabalhos no cinema, Scott não se importou em fazer todos os tipos de filmes. Aliás ele estava mesmo pensando que iria se tornar um ator ao estilo Cary Grant. Ele estava pronto para ser um galã de filmes mais românticos se fosse preciso.

Sua amizade com Grant aliás foi uma das mais duradouras fofocas da história de Hollywood. Quando eram apenas jovens atores aspirantes ao estrelato, eles resolveram dividir uma bela casa nas colinas de Hollywood. Era algo natural acontecer já que nenhum dos dois tinha dinheiro suficiente para bancar uma bela mansão com piscina sem a ajuda do outro. Então, como eram amigos mesmo, resolveram dividir o aluguel, indo morar juntos. Acontece que o estúdio contratou uma equipe de fotógrafos para tirar uma série de fotos promocionais em sua residência. A proposta era mostrar o cotidiano de dois jovens atores de Hollywood.

O problema é que a tentativa de mostrar um lado mais, digamos, pessoal e privado da vida deles, acabou criando uma incômoda sensação de que eles tinham um relacionamento íntimo demais para dois homens. Não demorou muito e os boatos de que era gays começou a se espalhar. Tanto Scott como Grant não pareceram se importar muito com esses rumores, tanto que jamais deixaram de ser amigos, de saírem juntos, indo a campos de golfe, jantares e premiações.

Anos depois, já casados, a "teoria gay" acabaria virando uma piada divertida entre eles. De qualquer forma, voltando para aqueles anos, o fato é que morar bem, em uma casa bonita nas colinas, abriu várias portas para Scott e Grant. Eles convidaram diretores, produtores, atrizes e atores para festas, jantares e recepções. Era assim que um ator conseguia ser escalado para filmes em Hollywood. Randolph Scott aliás era um grande anfitrião nessas ocasiões. Dono de uma conversa agradável, com aquela educação sulista tão carismática, ele logo deixaria de pedir por trabalho, recebendo ao invés disso, cada vez mais convites para integrar elencos de novos filmes. A estratégia que havia criado ao lado de seu amigo Cary Grant havia dado muito certo.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Cine Western - Galeria de Fotos

Steve McQueen
Quando não estava interpretando pistoleiros no cinema o ator Steve McQueen soltava o esqueleto na pista de dança. Nessa foto ele se requebra com a nova moda, chamada The Twist, uma das mais populares danças dos anos 60. Ao fundo se vê a filha do presidente dos Estados Unidos Lyndon Johnson, a jovem Luci Baines Johnson. Mesmo sem muito jeito, Steve parece se divertir bastante. O maior clássico de Steve McQueen no gênero western foi o filme "Sete Homens e um Destino" onde interpretava o pistoleiro Vin Tanner. Curiosamente embora tenha atuado nesse verdadeiro ícone cinematográfico dos faroestes o ator não fez tantos filmes do gênero como era de se supor. Ele só voltaria ao western seis anos depois em "Nevada Smith", filme que marcaria sua despedida do velho oeste nas telas. Embora se desse muito bem nesse tipo de filme Steve McQueen preferia as fitas de guerra, os policiais e os filmes de corridas, afinal ele era um verdadeiro apaixonado pela velocidade e as competições como Le Mans. chegando inclusive a atuar em "As 24 Horas de Le Mans", um de seus filmes preferidos.

Robert Michum
Foto de Robert Mitchum no western "Sua Única Saída" (Pursued), de 1947. Ele interpretava um cowboy chamado Jeb Rand, nesse filme que tinha um dom psicológico que não era muito comum nesse tipo de produção da época. O protagonista tinha traumas de infância após testemunhar, ainda criança, a morte de toda a sua família, durante uma viagem de colonos rumo ao oeste americano. Como se sabe essas famílias que iam rumo às terras a serem colonizadas, enfrentavam muitos desafios como tribos indígenas violentas, bandidos de todos os tipos e a própria selvageria da região. Esse acabou se tornando um dos filmes preferidos do diretor Raoul Walsh, um trabalho que ganhou elogios de Orson Welles. E como curiosidade final uma informação no mínimo interessante: esse filme foi assistido pelo cantor Jim Morrison na noite de sua morte, em Paris. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A Mocidade de Lincoln

Título no Brasil: A Mocidade de Lincoln
Título Original: Young Mr. Lincoln
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: John Ford
Roteiro: Lamar Trotti
Elenco: Henry Fonda, Alice Brady, Marjorie Weaver, Arleen Whelan, Eddie Collins, Richard Cromwell
  
Sinopse:
O sonho do jovem Abraham Lincoln (Henry Fonda) é se tornar um grande advogado. Até chegar lá porém ele terá que superar muitos desafios. Filho de uma humilde família da interiorana Hodgenville, no Kentucky, trabalhador rural, ele precisa mostrar seu valor nos estudos, mesmo sem muito apoio ou incentivo por parte de seus pais. O filme narra justamente os anos iniciais de sua vida profissional, quando apenas sonhava em vencer na vida.

Comentários:
Quando se fala em filmes sobre a figura do presidente Abraham Lincoln, sempre se lembra dessa produção dos anos 30. É um dos clássicos da brilhante carreira do mestre John Ford. O filme foi vencedor do Oscar na categoria de Melhor Roteiro (Lamar Trotti) justamente por romantizar os primeiros anos de atuação de Lincoln, quando ele era apenas um jovem advogado desconhecido, do interior do Kentucky. Apesar de ser inegavelmente um grande filme, desses para se ter em sua coleção, o fato é que há dois pequenos erros em sua narrativa. O primeiro diz respeito aos próprios fatos mostrados na tela, todos eles meramente ficcionais. Obviamente Lincoln realmente foi um advogado de interior antes de entrar na vida política. Isso é certo, porém os acontecimentos mostrados no filme, os detalhes, as causas, essas são frutos da imaginação do roteirista Lamar Trotti. Outro erro digno de nota vem da própria personalidade do protagonista. Interpretado por Henry Fonda, o jeito de ser e agir do seu Lincoln tem mais a ver com a imagem simbólica que ele construiu em seus anos na Casa Branca, do que com a do jovem advogado cheio de prosa que é encontrado nos livros de história. Em sua juventude Abraham Lincoln era dado a contar causos, piadas e anedotas divertidas, muitas delas explorando a vida de um homem simples do campo. Nada a ver com atitudes gloriosas, majestosas, da imagem oficial. O Lincoln da história era bem mais divertido. Assim o filme perde bastante no quesito veracidade histórica, embora como puro cinema é realmente uma excelente obra cinematográfica.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Brimstone

Esse novo western não é um filme fácil. Embora tenha uma trama até dentro dos padrões mais convencionais do gênero, a forma como o roteiro a desenvolve é completamente fora do comum. Nada é mostrado em ordem cronológica. O roteiro dividiu a história em capítulos, só que esses capítulos não seguem uma ordem natural. Assim sobra para o espectador montar o quebra-cabeças do que estaria acontecendo, um exercício que nem todo mundo vai ter paciência de fazer.

E por falar em paciência achei a duração também excessiva. São duas horas e meia de um enredo que poderia muito bem caber em um hora e meia ou uma hora e quarenta minutos. Em determinados momentos você percebe que está se perdendo tempo com coisas sem muita importância. Assim a atenção do espectador vai ficando cada vez mais dispersa. Penso até que muitos vão abandonar o filme pelo meio do caminho. Um corte mais bem feito cairia muito bem.

Bom, se tem tantos problemas de roteiro, pelo menos o elenco está muito bem. Dakota Fanning passa quase todo o filme muda, porque sua personagem resolve cortar fora a própria língua (em outro momento mal explicado pelo confuso roteiro). O fato dela não ter diálogos a declamar acaba valorizando ainda mais sua atuação. Na maioria das vezes ela passa suas emoções apenas com seus olhares, o que não deixa de ser algo bem impressionante. Já Guy Pearce está bem assustador (algo que era exigido dentro da história). Ele interpreta esse pastor evangélico completamente fanático e violento, em uma de suas melhores interpretações na carreira.

No quadro geral "Brimstone" não é ruim, apenas confuso. Muitas vezes um diretor e sua equipe de roteiristas procuram por algum tipo de inovação na arte de se contar uma história. Não há problemas nisso. O problema é quando tudo fica tão truncado que acaba atrapalhando a experiência do espectador. "Brimstone" peca justamente nisso. Tentando ser diferente ele só acabou mesmo torrando a paciência do público. Uma escolha equivocada.

Brimstone (Brimstone, Estados Unidos, 2016) Direção: Martin Koolhoven / Roteiro: Martin Koolhoven / Elenco: Dakota Fanning, Carice van Houten, Guy Pearce / Sinopse: O filme narra a luta de Liz (Dakota Fanning), uma jovem que precisa passar por um verdadeiro calvário pessoal no velho oeste americano ao se tornar alvo de um pastor protestante violento e insano, interpretado pelo ator Guy Pearce.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Eles Passaram por Aqui

Título no Brasil: Eles Passaram por Aqui
Título Original: Four Faces West
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Alfred E. Green
Roteiro: C. Graham Baker, Teddi Sherman
Elenco: Joel McCrea, Frances Dee, Charles Bickford, William Conrad, Martin Garralaga, Raymond Largay
  
Sinopse:
O cowboy Ross McEwen (Joel McCrea) chega em uma pequena cidade do velho oeste e vai até o banco local. Ele deseja um empréstimo de 2 mil dólares, porém não tem garantias para receber o crédito. Ross então decide assaltar o banco e foge para o deserto com o dinheiro. Atrás dele vai o famoso xerife Pat Garrett (Charles Bickford) que fará de tudo para colocar as mãos no fora-da-lei.

Comentários:
Considerado por muitos um dos cem melhores filmes de western da história. Isso é realmente de se admirar pois o filme mesmo nos dias atuais não é muito conhecido. A produção é na média dos faroestes da segunda metade dos anos 1940, mas o que se destaca mesmo é seu roteiro, um dos primeiros socialmente conscientes do gênero. O assaltante de bancos interpretado por Joel McCrea não é um típico criminoso de filmes de faroeste, longe disso. Na realidade ele precisa desesperadamente do dinheiro para usar em prol de uma boa causa. Seria assim dos primeiros personagens criminosos sociais da história de Hollywood. O tempo todo seu argumento tenta justificar o ato do protagonista, ao mesmo tempo em que joga com as emoções do público espectador. O filme foi indicado ao Writers Guild of America, o Oscar dos roteiristas, na categoria "Best Written American Western", por causa do excelente trabalho desenvolvido pela dupla  C. Graham Baker e Teddi Sherman. Tão marcante foi o trabalho dos escritores que muitos anos depois o astro Joel McCrea ainda costumava citar esse filme como um dos grandes momentos de sua filmografia. Sem dúvida um faroeste marcante, que fez história, abrindo o gênero western para novos rumos, novas perspectivas. Depois dessa produção os grandes estúdios viram a importância de se ter um bom roteiro em mãos para criar um grande filme de cowboy.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Rock Hudson (Herança Sagrada)


Rock Hudson - Herança Sagrada
Embora fosse um americano branco típico, bem alto e com características caucasianas, o estúdio resolveu escalar o astro Rock Hudson para interpretar um pele vermelha no filme "Herança Sagrada". Anos depois em sua autobiografia o ator relembraria as filmagens desse filme como algo constrangedor, completamente ridículo. "Eu não era adequado para esse papel. Eu não me parecia com um índio. A maquiagem me aplicava tanta tinta vermelha que ao final do dia, quando tomava banho, o chão do banheiro ficava completamente vermelho!" Embora Rock desaprovasse sua caracterização o fato é que o filme acabou fazendo sucesso nas bilheterias a ponto dele comprar um veleiro novinho com o dinheiro ganho. E para homenagear o seu público, Rock resolveu chamar a embarcação de Taza, o mesmo nome de seu personagem no filme. De fato, ele gostou tanto de ter um veleiro que começou a trocar a terra firme pelas comodidades do barco. Rock passava semanas em seu novo brinquedo aquático, sem se preocupar com o que se passava em Hollywood.

Pablo Aluísio.

domingo, 26 de março de 2017

Rio da Prata

Título no Brasil: Rio da Prata
Título Original: Tumbling River
Ano de Produção: 1927
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: Lewis Seiler
Roteiro: Jack Jungmeyer 
Elenco: Tom Mix, Dorothy Dwan, William Conklin, Elmo Billings, Wallace MacDonald, Buster Gardner
  
Sinopse:
Tom Gieer (Tom Mix) é um cowboy que decide deixar os rebanhos de gado de lado para viajar até a Califórnia, em busca de ouro. A região na época estava atraindo grandes massas de homens em busca da fortuna. No começo Tom não consegue ter muito sucesso, mas acaba descobrindo prata em uma das margens do rio. Só que essa sua descoberta acaba atraindo a cobiça de bandidos locais. Agora Tom terá que lutar por suas terras.

Comentários:
Antes do surgimento de John Wayne o grande nome do western americano era Tom Mix. Ele foi um grande astro de filmes de faroeste, atraindo multidões para as salas de cinema da época. Seus filmes eram bem simples, com roteiros feitos para as matinês, com personagens bem delimitados, com o mocinho (geralmente interpretado pelo próprio Tom Mix), uma mocinha, representando o amor de sua vida e vilões, em grande número para que Mix fosse matando ao longo da trama. Esse "Tumbling River" ficou bem popular em seu lançamento porque foi um dos primeiros filmes da Republic a serem rodados em locações, no Novo México, onde se aproveitou toda a beleza da região para dar uma fotografia bonita ao filme. Acabou virando uma espécie de pioneiro do gênero western nesse aspecto. Outro fato digno de nota é que a atriz Dorothy Dwan sofreu um acidente durante as filmagens. A balsa onde ela se encontrava afundou bem no meio do rio e ela só não morreu afogada porque foi salva pelo próprio Tom Mix, que pelo visto era herói também na vida real, fora das telas de cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 23 de março de 2017

O Melhor Do Bang Bang à Italiana

O Melhor Do Bang Bang à Italiana 
Nem só de filmes vive o fã de faroestes. Há toda uma série de outros produtos que também fizeram a alegria dos admiradores do gênero western. No Brasil, por exemplo, tivemos por anos a publicação dos chamados bolsilivros, pequenos livrinhos em papel jornal que traziam estórias do velho oeste. Essas publicações tinham um preço bem popular (algo que nos dias de hoje seria em torno de 3 a 5 reais). Além disso o western também invadiu o mundo dos quadrinhos (quem nunca leu uma revistinha do Tex, por exemplo?).

Nos anos 60 e 70, com o sucesso dos filmes de western spaghetti, surgiu outro nicho de mercado: o das trilhas sonoras. Como se sabe os filmes italianos tinham temas bem marcantes, que ficavam na mente do espectador de cinema. Em 1978 a gravadora Som Livre resolveu criar uma coletânea das principais canções do estilo e lançou no mercado brasileiro o LP "O Melhor Do Bang Bang à Italiana". Quem achava que o disco iria interessar apenas os aficcionados por faroestes teve uma surpresa e tanto, pois o disco (na época de vinil) foi um grande sucesso de vendas no mercado, a ponto de ter tido inúmeras reedições nos anos seguintes. O sucesso foi tamanho que mesmo após a extinção da chamada bolacha preta (o bom e velho disco de vinil) as novas edições seguiram em frente, com o lançamento do álbum em CD. Uma boa dica para quem gosta de ouvir os temas mais marcantes do cinema italiano. Por fim uma outra dica importante: caso você ame esse disco de verdade, procure pelas trilhas sonoras originais que foram lançadas no mercado externo. Muitos desses discos são verdadeiras obras primas e merecem ser ouvidos na íntegra e não apenas em suas faixas mais conhecidas.

O Melhor Do Bang Bang à Italiana (1978)
01. One Silver Dollar - Maurice Renet And His Orchestra
02. The Good, The Bad And The Ugly - Hugo Montenegro
03. Per Qualche Dollaro In Piu' - Ennio Morricone E Sua Orquestra
04. I Giorni Dell' Ira - Riz Ortolani E Sua Orquestra
05. All' Ombra Di Una Colt - Willy Brezza E Sua Orquestra
06. Theme From A Few Dollars More - Maurice Renet
07. Johnny Guitar - Nico Fidenco
08. Titoli - Ennio Morricone, Sua Orquestra E Coro
09. Hang' Em High - Hugo Montenegro E Sua Orquestra
10. C'era Una Volta Il West - Ennio Morricone
11. Django - Maurice Renet And His Orchestra
12. Trinity - Annibale E Orquestra De Gianfranco Plenizio

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Balas de um Bandoleiro

Título no Brasil: Balas de um Bandoleiro
Título Original: Guns of a Stranger
Ano de Produção: 1973
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Robert Hinkle
Roteiro: Charles W. Aldridge
Elenco: Marty Robbins, Chill Wills, Dovie Beams, Bill Coontz, Charles W. Aldridge, Ronny Robbins
  
Sinopse:
Durante uma confusão em sua cidade, o xerife Matthew Roberts (Marty Robbins) acaba matando um jovem aspirante à pistoleiro, um forasteiro de Abilene que estava de passagem pela região. A morte de alguém tão jovem frustra o velho xerife, que decide deixar sua estrela de prata de lado para cavalgar pelo velho oeste. No Arizona ele acaba encontrando uma quadrilha de bandoleiros que está aterrorizando a população local. Em pouco tempo seu instinto de homem da lei aflora novamente e ele resolve então enfrentá-los com armas em punho.

Comentários:
Filme de faroeste dos anos 70 que tenta seguir os passos dos filmes italianos, do famoso gênero Western-Spaghetti. Sinceramente falando, essa influência que veio da Europa é uma das coisas mais curiosas que já aconteceram dentro da indústria cinematográfica americana. Quando os primeiros filmes italianos chegaram no mercado americano eles foram ridicularizados pela crítica, porém com o tempo eles foram conquistando cada vez mais público. O western americano estava em crise e assim acabou copiando muito do estilo do cinema europeu. Os filmes americanos dos anos 70 assim já foram produzidos com essa forte influência, a tal ponto que chegaram até mesmo a perderem um pouco de sua própria identidade. "Guns of a Stranger" tem um roteiro muito eficiente, com trama redondinha, explorando a velha figura (mítica para alguns) dos xerifes do velho oeste. Homens quase sempre retratados como pessoas honestas, acima de qualquer suspeita! Claro que no mundo real não era bem assim - havia certamente xerifes corruptos que se aliavam à criminalidade - porém para o lado mais tradicional do western americano isso quase nunca acontecia (efeitos de uma visão de mundo conservadora e moralista da época). Embora não seja um grande filme, "Guns of a Stranger" pelo menos consegue divertir em certos momentos. O ator Marty Robbins era fraco, o que compromete a fita de uma maneira em geral. Mesmo assim, com esses problemas, ainda vale a pena ser conhecido, mesmo que tudo seja pela mera curiosidade apenas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 16 de março de 2017

O Regresso

O caçador de peles Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) vê seu grupo ser atacado por nativos selvagens em uma região remota do velho oeste. Eles quase não conseguem sair vivos da brutalidade dos indígenas. Precisando encontrar o caminho de volta para sua base ele acaba sendo atacado de forma violenta por um urso cinzento. Praticamente dado como morto, vira alvo do caçador John Fitzgerald (Tom Hardy) que quer deixá-lo para trás. O instinto de sobrevivência de Glass porém falará muito mais alto. "O Regresso" é um filme brutal. Não há outra definição. Também traz a interpretação mais visceral da carreira do ator Leonardo DiCaprio. Praticamente não há quase diálogos para declamar, mas apenas a fúria da luta entre o homem e a natureza. O realismo das cenas impactam desde o começo. É curioso como há um contraste muito presente entre a beleza do lugar onde a estória se passa e a brutalidade inerente da natureza humana entre brancos e nativos. O discurso politicamente correto também não resiste em nenhum momento. A velha ladainha do choque de civilizações não encontra eco nessa batalha pela sobrevivência.

E por falar em sobreviver a qualquer custo a cena mais lembrada da produção (o ataque do urso selvagem contra Glass) resume muito bem a essência desse roteiro. Nesse mundo primitivo não há espaço para o Éden, mas apenas para a guerra em se manter vivo. "The Revenant" assim se revela uma obra prima. O cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu é certamente o diretor mais promissor de sua geração. Confesso que ele nunca havia me impressionado tanto como agora. Não há qualquer dúvida de que "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" é uma obra prima do cinema, porém com esse novo filme ele alcançou um novo pico em sua filmografia, algo que poucos esperavam. Certa vez o lendário xerife Wyatt Earp foi perguntado sobre o que achava dos filmes de western que estavam sendo lançados no cinema. Ele disse que o velho oeste americano era muito mais brutal do que aquilo que se via nas telas. Provavelmente se tivesse tido a oportunidade de assistir "O Regresso" o velho homem da lei teria se sentido muito mais familiarizado. O filme é isso, um retrato extremamente bem feito de um tempo onde apenas os mais fortes conseguiam sobreviver. É brutal, mas também é maravilhoso em todos os aspectos.

O Regresso (The Revenant, Estados Unidos, 2015) Direção: Alejandro G. Iñárritu / Roteiro: Mark L. Smith, Alejandro G. Iñárritu / Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter, Domhnall Gleeson, Forrest Goodluck, Paul Anderson / Sinopse: Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é um caçador que se vê diante de uma realidade brutal, não apenas por causa do clima hostil onde está, como também pela natureza perversa e cruel dos homens. Apesar de ter tudo contra si ele lutará até o fim pela sua sobrevivência, custe o que custar. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Fotografia (Emmanuel Lubezki) e Melhor Direção (Alejandro G. Iñárritu). Também vencedor do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Ator - Drama (Leonardo DiCaprio) e Melhor Direção - Drama (Alejandro G. Iñárritu).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 13 de março de 2017

A Biografia de John Wayne - Parte 3

Uma das grandes sortes que John Wayne teve em sua carreira foi o fato dele começar a se tornar popular justamente na mesma época em que o grande cowboy do cinema, o astro Tom Mix, estava se aposentando. Ídolo máximo do western na era do cinema mudo, Mix estava descontente com os novos rumos que a indústria cinematográfica americana começava a tomar. O cinema falado estava prestes a dominar completamente o mercado, enquanto os antigos filmes mudos perdiam espaço nas telas a cada ano. Era o fim de uma era.

Tom Mix já se sentia velho e cansado. Cavalgar para ele estava se tornando um problema por causa de dores na coluna. Ele sofria dessas dores há anos, mas agora tudo se tornara insuportável. O estúdio lhe arranjou dublês, mas o público começou a perceber a diferença e assim, procurando manter sua estrela, sua áurea, Mix decidiu se aposentar. Ele queria se retirar antes que se tornasse completamente decadente. Depois de atuar em mais de duzentos filmes ele estava multimilionário e não queria mais saber de cavalos, selas, poeira e tiroteios. Os dias do faroeste tinham chegado também ao fim para Mix.

Com o afastamento de Tom Mix das telas todo um espaço ficou vazio. Quem seria o próximo herói dos filmes de faroeste? Bom, John Wayne estava de olho nesse trono. Esforçado, disciplinado, bom profissional na visão dos diretores da época, John Wayne começou a deixar de lado suas participações como dublê para realmente se tornar ator na frente das telas. Foi um processo gradual. Nos primeiros anos John Wayne ainda procurou se esforçar na universidade, mas depois ele viu que poderia ter grande futuro no mundo do cinema. O pagamento era muito bom, o trabalho era relativamente fácil e a fama, que ele começava a desfrutar, acabou lhe convencendo que ele deveria se esforçar para fazer sucesso no cinema, acima de tudo.

Durante as filmagens de um novo filme, Wayne conversou longamente com o diretor Andrew Bennison. Esse lhe avisou que iria filmar um faroeste em breve e que queria John Wayne em seu elenco. Depois explicou que esse novo western seria mais realista, tentando mostrar o mundo dos cowboys como ele realmente era: com muito suor, trabalho duro e roupas surradas. Nada a ver com Tom Mix e suas roupas engomadinhas. "John, o futuro dos filmes de western será o realismo nu e cru, por isso quero que você apareça como se fosse um cowboy real. Roupas empoeiradas, chapéu amassado, nada de ter um visual como Tom Mix, com seu figurino cheio de estrelinhas e esporas de prata!". Wayne concordou plenamente com a opinião do diretor. Era hora do cinema americano abraçar uma visão bem mais pé no chão. O mito em torno de John Wayne começava a ganhar vida.

Pablo Aluísio.